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Paulo Abrunhosa (1958-2001)

Paulo Abrunhosa (1958-2001)

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6.
A dois passos

Se eu, um dia, me tornasse uma vedeta,
teria sempre um pé perto da sarjeta,
uma forma de me lembrar que o delírio
está a dois passos – com o sucesso – do martírio! 

5.
O melhor talismã
É a mamã! 

4.
Os computadores
são uns amores,
mas têm uma certa falta d’África.
São todos feitos numa fábrica,
em Silicon Valley,
onde é outra, a lei,
mais fria,
própria de uma etnia
cinzenta,
que aguenta,
no pelo,
o gelo
dos megabites
a debitar bitaites 

3.
Angústias

Cristo:
mas o que vem a ser isto?
Maomé:
então, como é?
Buda:
quando é que isto muda?

2.
Construí o meu ego
como um castelo da Lego:
um edifício
fictício,
feito de múltiplas peças.
só espero não as ter encaixado às avessas 

1.
Não sei fazer do sacrifício
Nenhum ofício, 

Nasceu a 12.05.1958, no Porto. Nesta cidade, faz a primária e parte do secundário no extinto Colégio João de Deus, de onde sai para frequentar o Liceu António Nobre e aí concluir, em 1979, o curso complementar. Depois de cumprir o serviço cívico obrigatório, matricula-se, no ano seguinte, na Universidade de Coimbra. Em 1985 licencia-se em Direito, tendo, de seguida, iniciado o estágio para a advocacia, que não conclui. Avesso a todo o “establishment”, recusa alinhar com as gerações engravatadas do seu tempo. Em 1987 funda, em colaboração com seu irmão Nuno, a revista “Metro”, a primeira de distribuição gratuita em Portugal. Com o número especial dessa revista, publicado no Verão de 1994 e exclusivamente dedicado ao Algarve, vence, nesse mesmo ano, o 1.” Prémio da Imprensa” da Região de Turismo daquela Província. Entretanto, entre a escrita e a noite, é convidado a dinamizar o espaço Café da Praça, promovendo aí iniciativas únicas de carácter lúdico e cultural, mormente entre as novas tendências da música de dança, marcando de forma indelével uma certa boémia da cidade. A morte apanhou-o aos quarenta e três anos de idade, no auge das suas capacidades, não lhe tendo consentido concluir este trabalho, cujos prefácio e epílogo deixou incompletos.

Publicado in Pedro Abrunhosa

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