7.
VISITA GUIADA
Subjacente à sua voz existe
o mapa da cidade feita aos poucos,
nos pequenos interstícios das crises,
dos ventos e da chuva, da erosão.
Lidando, a sua voz reconstitui
o ténue espaço, o roteiro das ruas,
meigamente revelando, sob tílias,
plátanos, palmeiras,
horizontes de areia,
o lugar em silêncio do poema.
In 27 poemas de António Rebordão Navarro, Edium Editores, 2008, página 41
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6.
AS ÁGUAS
Nada acontece em vão,
no verão, na vertigem,
na rendida voragem.
Tudo se precipita quando o outono range,
ruge, rola, confunde,
sob o bafo das bruxas.
Em vão nada se faz, nada se queima.
Projectam-se partos na memória.
In 27 poemas de António Rebordão Navarro, Edium Editores, 2008, página 39.
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5.
Mítica
a palavra não já na boca
mora,
vive além
dos homens e das coisas,
canta. →
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4.
Quem destrói as palavras?
para palavras múltiplas,
homens de carne e osso. →
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3.
Da tinta
ou do sangue
fluem as palavras? →
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2.
A palavra que ama
a que namora
a palavra que dorme →
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1.
É nos bolsos que cabe o que nós somos.
Levamos tudo logo pela manhã, →
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