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António Nobre (1867-1900)

António Nobre (1867-1900)

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9.
Vê acolá, erguidas sobre a areia,
Casitas brancas, ou torreões de linho,
Onde se escondem corpos de sereia,
Mais brancos do que o arminho!

8.
Os astros virginais, as límpidas estrelas
Que eu vejo reluzir nas amplidões do ar! 

7.
Tombou da haste a flor da minha infância alada.
Murchou na jarra de oiro o pudico jasmim: 

6.
Meus dias de rapaz, de adolescente,
Abrem a boca a bocejar, sombrios: 

5.
Ai d’ aqueles que, um dia, depuseram
Firmes crenças n’um bem que lhes voou! 

4.
Aqui, sobre estas águas cor de azeite,
Cismo em meu Lar, na paz que lá havia. 

3.
Vou sobre o Oceano (o luar, de doce, enleva!)
Por este mar de Glória, em plena paz. 

2.
E a vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inútil. Tudo é ilusão. 

1.
Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguém, 

António Nobre (Porto, 1867- Figueira da Foz, 1900) matriculou-se em 1888 no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Desistiu de Coimbra e partiu para Paris, onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas. Licenciou-se em Ciências Jurídicas. De regresso a Portugal, a tuberculose impediu-o de iniciar qualquer carreira. Ocupou o resto dos dias em viagens, da Suíça à Madeira, em busca de clima onde recuperasse. Obra poética: “Só” (Paris, 1892), “Despedidas” (1902) e “Primeiros Versos” (1921). Em prosa: Cartas Inéditas de António Nobre (1934), Cartas e Bilhetes Postais a Justino Montalvão (1956), Correspondência (1967).

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