Uma aranha contra outra,
sobre a teia pegajosa
que no tecto da mansarda
a primeira foi tecendo
com a sua própria baba.
A luta é de vida ou morte.
Imersas no corpo-a-corpo,
cospem veneno uma à outra,
são um novelo de patas
que ora avança, ora recua.
Uma delas será morta,
a outra talvez ferida.
Indiferentes à razão,
não as move outra paixão
que não seja a própria vida.
in Só o incêndio lavra, Assírio & Alvim, setembro 2026


















