1.
Sou uma pedra desta catedral. Fui arrancada de uma montanha aqui perto. Primeiro, abriram uma fenda onde introduziram uma cunha de madeira. Depois, embeberam a cunha em água, que inchou até estalar a rocha. Com cinzéis e marretas, acabaram por me separar da minha mãe. Vim em cima de um carro de bois, guiado por um rapaz que assobiava para me embalar.
O mestre deu-me esta forma de paralelepípedo e depois içou-me até aqui. Estou desalinhada das minhas irmãs para não cairmos com os abanões da terra. Sem mim, esta catedral não seria a mesma. Entraria o frio, o vento e a água da chuva. E até podia desabar.
Eu sou a catedral.
2.
EM FIADA AMARRADA
Podem não acreditar
mas a resistência desta catedral
não se deve tanto
à qualidade das pedras
mas às juntas desencontradas
com que foram assentadas
PML


















