2827
1
COMPARTILHAR
Inicio Correspondentes Zilda Cardoso...

Zilda Cardoso

Zilda Cardoso

1
2827

Vivi muito pouco tempo na rua do Almada, no Porto, ou dos Almadas, como eu gostaria de lhe chamar. Foi há muitos anos e nunca tinha lá voltado. Fui visitá-la ontem. Dizem que é uma rua cheia de história, acredito. Continua a ser. Confirmei um pouco na internet, vale a pena pesquisar. 

17. Tantos acontecimentos, tão poucos dias. Arrasada estou. Um pássaro cinzento ainda implume, cai de um ninho algures. É um bebé, recolheu-se na minha janela, entre as duas vidraças e aí ficou inquieto. 

16. Esteve um dia esplêndido de luminosidade e de temperatura, um mar tranquilo e azul, um céu sem nuvens (apenas um sombreado em certos pontos). 

15. É um daqueles dias de especial interesse para mim porque velado por um véu translúcido que tapa e destapa, deixa ver ou adivinhar, esconde, revela… dá que pensar. 

14. Desejaria saber comunicar o que descobri. Há várias horas que caminho nesta beira-mar, meditando, em busca de respostas importantes. 

13. Desejaria saber comunicar o que descobri. Há várias horas que caminho nesta beira-mar, meditando, em busca de respostas importantes. 

12. Qualquer experiência humana é radical – li algures. E acredito, referindo-se à experiência de uma vida. Mas também se aplica a qualquer pequena aventura do dia-a-dia. 

11. Ser solitário pode ser um luxo. No presente, é para mim muito negativo ser solitário. Solitário faz-me lembrar duas coisas: a lógica de Carroll bem clara em Alice do Outro Lado do Espelho e a jarra alta para uma flor só, sozinha e única, que procurei durante anos nas casas de velharias da cidade. 

10. Esta época da minha vida, que é nitidamente de retirada da maioria das actividades que me ocuparam até há pouco, é propícia a uma reflexão profunda e sobretudo tranquila e sensata sobre os problemas da vida. 

9. Passei em Moledo, Casa da Eira, estes últimos dias… O tempo esteve maravilhoso: sol brilhante, boa temperatura, cores tremendamente nostálgicas, perfumes a serem esbanjados, outonais, de frutos maduros e doces, matizados, esquisitos. 

8. Não sei bem o que é… é o que for, existe, não existe… Não sei bem o que é. Não posso definir. 

7. Não creio que este mar seja arrogante, como dizem. O caso é outro. Pode dar essa ideia quando se zanga e se atira contra os rochedos, lhes bate e os reduz, de facto, espatifando-os em mil pedaços que espalha e finalmente fixa noutros pontos. Onde acabam por perdurar durante séculos ou milénios. 

6. Era meado de Março, a temperatura alta para aquela hora da tarde… A folhagem do chão que, no fim do Verão estalava sob a rudeza dos meus pés ou rugia mesmo, mais tarde… apenas um murmúrio me permitia escutar, se com atenção, o que dizia. 

5. Devo redefinir a palavra MAR. Segundo o que vejo hoje, não posso chamar mar ao que habitualmente chamo mar. O que hoje vejo é uma colcha de seda brilhante e selvagem, activa, com cores cujos tons tornam a sua cor indefinida. E os brilhos são apenas seus movimentos delicados e aparentemente superficiais. 

4. O que vejo da minha janela é uma vastidão, dizem. É, com certeza, uma quantidade extensíssima de água – um lago – rodeado por qualquer coisa que a retém e que não tento descobrir. Não sei se é uma vastidão. 

3. Costumamos dizer e ouvir dizer que pensar dá muito trabalho, e que as pessoas em geral não gostam de pensar. Assim não apreciam ler porque ler dá que pensar. 

2. Um dia de calor na cidade 

1. As pontes da cidade 

COMPARTILHAR
Artigo anteriorAbelha
Próximo artigoGirassol

1 COMENTÁRIO

  1. Foi com surpresa que deparei com a reprodução deste meu artigo no Correio do Porto. E quero agradecer. Por vezes tenho pena que artigos com interesse geral não sejam mais lidos, mas não sei o que fazer para o conseguir para além de tentar escrever o melhor possível e de escolher temas não demasiado superficiais nem muito comuns, também não políticos…
    Obrigada.
    Zilda Cardoso

Comments are closed.