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Helder Pacheco (1937)

Helder Pacheco (1937)

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Mas eram outros. Da infância que nos marca, com doçura, ou nos amarfanha para sempre. A minha abarcou as duas, mas do lado mais doce ficaram os comboios. Para a praia. 

18. Passei pela Cadeia da Relação e vi um pano onde escreveram: «Nasci na Vitória, posso morrer na Vitória?» Isto assim, nem mais, nem menos. E disseram-me que dísticos semelhantes vão apelando à permanência dos habitantes nos seus locais de origem. 

17. Um amigo meu (cito Teixeira Gomes) «pessoa delicada e culta e muito amigo das coisas da sua terra», com a vantagem de correr mundo, escreveu-me sobre o assunto de que muito se fala: o excesso de turismo. 

16. Aí por 1980, num seminário sobre Património, no Funchal, expus o significado social que caracterizava as ilhas e bairros operários do Porto. Defendi que o projecto SAAL, que pretendia reabilitá-los, seria a solução mais justa para a sua qualificação. 

15. Ao longo dos catorze anos de conversas de fim de tarde, entre a Câmara ,  a Rua da Picaria e, a seguir , no caminho da Foz falávamos , por vazes , de Lampedusa e do Leopardo. Quero dizer: do Príncipe D. Fabrício , cuja presença se  pressentia em Miguel Veiga, na sua intensa percepção da aventura exaltante e misteriosa a que costumamos chamar vida. Vendo bem , em corpo inteiro, o Príncipe era ele. 

14. No dia 12 deste Agosto sobressaltado, o Porto perdeu um ícone: a Adega S. Martinho. Não por inutilidade mas porque, simplesmente, as mudanças no tecido da cidade não se compadecem com os símbolos de uma tradição cujo sentido era diferente do nosso. 

13. Nos tempos homéricos da minha infância na Rua do Correio janelava-se. Janelava toda a gente do lado em que morava (do outro só havia escritórios), conjugando o verbo janelar, que significava «passar a vida à janela» – o que não era bem o caso. 

12. O Duque, curador das Alminhas da Ponte, já me tinha falado disto. Que as promessas de velas de cera tinham aumentado e nas vésperas dos jogos grandes do FCP lá ia muita gente acendê-las. 

11. Artesanalmente, por carta ou telefone, na rua, esquina, loja, exposição, etc., a minha rede social funciona. E traz notícias frescas, boas e más. Desta vez más. 

10. Muitos duvidam da capacidade do Burgo para absorver tanto turista. Que se descaracteriza, perde identidade, degrada-se. O fim do mundo. Que qualquer dia há mais estranhos que tripeiros nas ruas. 

9. Quem pode resistir à nostalgia? 

8. Grupo Recreativo e Desportivo de Aldoar 

7. Minha linda freguesia 

6. Quem acode às Festas 

5. Estou de acordo 

4. Entrar no Sá da Bandeira é regressar ao paraíso perdido da minha infância.

3. A Marca São João 

2. Ser Portuense 

1. O Regresso das dificuldades 

Hélder Pacheco: natural da Vitória, Porto. Professor de História Social e cultural do Porto, Quadro Técnico do Ministério da Educação (1960/1993). Investigador das culturas populares e escritor. Cronista do Jornal de Notícias e da Revista “Sítios e Memórias”. Autor de ensaios e estudos sobre Património Cultural editados em jornais e revistas de todo o país.

Sito in http://www.wook.pt

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