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Nuno Rocha Morais (1973-2008)

Nuno Rocha Morais (1973-2008)

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Têm chovido muitas palavras.
Por favor, não é uma metáfora.
Têm realmente chovido muitas palavras,
O chão está juncado delas,
Pendem das árvores, jazem nos parapeitos…
A fidelidade, a constância, poderiam tornar-nos perfeitos.
Há palavras que me levam contigo,
A que não voltarei, em que não voltarei.
Não as deveria talvez ter dito,
Muitas, estou certo, não as disse
Mas agora são tuas tantas dessas palavras
Que vão chovendo agora e agora
E não tenho palavras onde me abrigar. 

2.
Pela poesia hei-de,
Não calar-me,
Mas dizer tudo por alheios lábios.
Direi tudo
E tudo me será perdoado,
Porque, embora seja culpado

Não sou o gesto de o ser. 

1.
Não se cansa o ramo
Pese embora tanta neve –
Assim o amor por ti 

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995. Aos 19 anos iniciou a vida activa na área do jornalismo no Comércio do Porto. Em 1999 passou a integrar a equipa de tradutores da Comissão Europeia, no Luxemburgo. Últimos Poemas – título que, ironicamente, desde os 20 anos, ainda estudante, elegeu como o título da primeira obra a editar – foi o livro que quis deixar organizado e foi publicado pela Quasi Edições, em 2009. Em Abril de 2016 as Edições Simplesmente editaram o livro Galeria dando continuidade ao vasto espólio literário que deixou.

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