Coloco no parapeito da janela um pires
que encho com água:
esta balança num movimento de maré,
como se aquele círculo de porcelana
contivesse um pequeno mar:
este oceano à soleira da janela
confunde
a imagem que capta
do céu — a lua
que acaba de nascer e agora está em pedaços
por baixo da janela: a vidraça
capta a imagem na sua origem,
um fragmento límpido de novidade,
e deixa-a entrar em casa
de vidraça em vidraça,
passando lentamente:
quando volto a olhar
para o parapeito, o pires
de luar recompõe-se:
repousa imóvel, de um lado ao outro
do círculo de cerâmica
que se curva sobre a água,
uma noiva adormecida:
por amor à lua,
não a acordes,
não agites o pires.
tradução PML


















