Atravesso devagar a piscina,
vou e venho na água, retomando
uns versos antigos em que falava
do hímen azulado e transparente.
Vou contando as voltas e, entretanto,
imagino o teu corpo
a flutuar nas águas de mim mesma,
que por sua vez flutuam neste líquido
do tempo que não passa.
Os meus braços procuram o adiante,
esse lugar exacto
onde agora estás tu
e que não é lugar nenhum.
Tu na água e eu nela:
a vida é esta massa
de água sobreposta
à qual já nasceste.
E já é irreversível
já és tempo.
in Maternidad, Antologia poética, edição de Inmaculada Moreno, Renacimento, 2024, página 138


















