Parece que foi tudo um mal-entendido.
Aquilo que era apenas um teste foi levado a sério.
Os rios regressarão à sua nascente.
O vento deixará de rodopiar.
As árvores, em vez de florescerem, cuidarão das suas raízes.
Os velhos correrão atrás de uma bola, uma olhadela no espelho –
serão crianças de novo.
Os mortos vão acordar, sem compreenderem.
Até que tudo o que aconteceu tenha desacontecido.
Que alivio! Respira livremente, tu que tanto sofreste.
tradução de Jorge Sousa Braga
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NOTA DO EDITOR:
A primeira reacção é de espanto: como é que alguém leva tão longe a hipótese de que tudo pode ter sido um engano? A ideia não é totalmente nova, mas aqui ganha uma força inesperada — não como teoria, mas como visão concreta de um mundo que se desfaz e regressa à origem. O poema provoca uma excitação intelectual ao explorar as consequências desse “mal-entendido”, mais do que ao explicá-lo.
Fica, no fim, uma grande admiração pelo poeta, pela capacidade de transformar uma hipótese abstrata numa experiência poética tão vívida.
PML


















