Preocupo-me muito com o sofrimento
de Machado. Eu tinha apenas um ano quando ele carregou
a mãe às costas, da Espanha para França,
debaixo de uma tempestade. Ela morreu, e ele também,
dias depois, numa pensão ao lado de um canal seco.
Para levar a Mãe, abandonou uma pasta
que guardava os seus últimos anos de poesia.
Viajei várias vezes a Collioure
para procurar a pasta perdida de Machado.
Os franceses alimentaram-no, mas não o conseguiram salvar.
Não há caminho certo para a morte —
descobrimo-lo ao caminhar.
Viramos uma esquina em lado nenhum
e há uma casa numa colina verde
com mil pássaros coloridos a esvoaçar em círculo.
Estarão os poemas na cave da casa da colina?
Descobriremos, se ainda nos lembrarmos da Terra.
tradução de PML


















