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Ouvi um grito...

Ouvi um grito lá fora

Ouvi um grito lá fora.
Acho que foi meu coração.
Corro. Me engano.
Acho que passou por mim correndo.
E a mão e a faca e o grito.
Que era puro sangue e que pingava.
Dezassete anos correndo à minha frente e uma faca em punho.
Ainda quente do medo, do ódio e da dor que não era sua.
Olhei para trás e vi o corte no pescoço.
Os olhos vazados. Não sem tristeza.
Corri desvairado, mas não consegui segurá-lo antes que caísse.
E que a terra tragasse vinte e quatro anos ceifados ali na calada pós-balada. À toa.
Por não sei o quê de um.
Crime de ser assim.
Não mais olhos, nem cabelos, nem pele macia de jovem bonito, quase criança.
Não mais aquele sorriso ardente nem outras ardências que não conheci.
Não mais.
Só o silêncio da faca e o brilho dos olhos roubados.
Roubados pelo medo.
(Para André Colares)

Por Alexandre Toledo que integra o Coletivo O GRITO e vive em Belo Horizonte, Brasil.

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