SEGUNDO informação da Real Academia das Ciências Sueca, o Prémio Nobel da Química 2015 foi atribuído ao sueco Tomas Lindahl; ao norte-americano Paul Modrich e ao turco Azis Sancar, da Universidade da Carolina do Norte, pelos seus “estudos mecanísticos da reparação do ADN”. Estes senhores descobriram alguns mecanismos de monitorização e reparação do nosso material genético, o ADN, sem os quais ficaríamos reduzidos a um caos bioquímico provocado por uma avalanche de aberrações cromossómicas. Segundo reza nos escritos da especialidade, os mecanismos de reparação do ADN podem ser de cinco feitios: reversão directa, reparação de erros de emparelhamento de bases do ADN, reparação por excisão de bases, reparação por excisão de nucleótidos e reparação de quebras duplas do ADN por recombinação homóloga e por junção de extremidades não homólogas. Claríssimo manual de instruções.

Dito isto, como é que alguém poderia imaginar que na N125 do Reino dos Algarves onde não consta que haja laboratórios, institutos de ciência e universidades, existe este torneiro que rectifica cabeças. Tanto povo que padece deste problema de cabeça torta… Em vez de rectificar ADN e aberrações cromossómicas que serão milhões e nunca mais chegam ao cérebro, esta oficina vai directa à cabeça e rectifica o que for para rectificar. Como vamos ser felizes resolvendo os erros de emparelhamento e juntando extremidades não homólogas. Ocorre-me que o nosso presidente Cavaco que também é algarvio, devia saber isto antes de dar posse ao novo governo.

Álvaro Domingues (Melgaço, 1959) é geógrafo e professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde também é investigador no CEAU-Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo. É autor de A Rua da EstradaVida no Campo e Volta a Portugal. Colabora com o Correio do Porto desde janeiro de 2015.

Publicado originalmente em 9 de outubro de 2015

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