POR muito que gostemos do Alhambra, dos jardins e de toda a velha Granada, não deveríamos vir embora sem ir à Costa Tropical ali tão perto. O maior mar de plástico de todo o mediterrâneo que produz o tomate cereja, o aguacate e a chirimoya (abacate e anona) em invernaderos a perder de vista, da praia até às alturas das montanhas secas e escalavradas. Acrescentando o turismo que pode quintuplicar a população no verão, obtém-se uma bomba em perigo de explosão: uma bomba de água, construção ilegal e emprego de mão-de-obra clandestina e mal paga. É tanto furo, poço, redes de água de rega, associações de regantes, conflitos pelo uso ou pelo elevado custo da água…, que não tarda nada ter que usar água do mar dessalinizada e esgoto tratado para regar plantas que já tem que ser kitadas biologicamente para aguentarem os níveis salinos existentes nos freáticos.

Por isso esta Rua da Estrada é tão exótica nas suas alternâncias de plástico, apartamentos turísticos, parques aquáticos, chiringuitos e rotundas com gerânios e buganvílias.

Que calor de locos nena / yo me quiero bañar / cuando estoy a tu lado el calor me sofoca / me quiero bañar!

SOBRE O AUTOR: Álvaro Domingues (Melgaço, 1959) é geógrafo e professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde também é investigador no CEAU-Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo. É autor de A Rua da EstradaVida no Campo e Volta a Portugal. Colabora com o Correio do Porto desde janeiro de 2015.

Texto publicado originalmente em 27 de maio de 2015

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