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Rua da Estrada do Mercado da Arte

Rua da Estrada do Mercado da Arte

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APESAR de ser acrílico sobre tela, a arte das valetas pode não ser o género mais apreciado nos meios críticos e comerciais do campo da arte. Ainda que muitos se lembrem que em Paris, nas margens do distintíssimo rio Sena, desde há muito que havia muita arte e artista de rua e de domingo que podia passar para os salões da arte das altas culturas, a verdade é que a N15 não passa em Paris. É pena.

Têm mais sorte os rabiscos nas paredes a que chamam graffitis, mesmo que lhes falhe completamente a estética e a política; a primeira, de tão vulgares e desinteressantes que são; a segunda, por lhe faltarem verdadeiras causas de denúncia e protesto. Ainda bem que alguns se safam para que a diferença se perceba e não vá tudo para o mesmo saco.

Esta outra arte pública é coisa descaradamente comercial, para fins decorativos e por isso também não será como a arte de milhões que se transacciona nas leiloeiras da especialidade em torno dos nomes do momento. Claro que aí também nada está garantido, que o diga em tom bastante claro e corrosivo Michel Huellebecq no seu livro O Mapa e o Território, 2011, escrevendo sobre um certo pintor que anda às voltas com uma tela chamada Damien Hirst e Jeff Koons dividem entre si o mercado de arte. Claro que umas pornografias de Hirst com a Cicciolina e umas caveiras de Koons com lantejoulas animavam este escaparate. Que difícil que é a arte…

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada

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