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Rua da Estrada da horta biológica

Rua da Estrada da horta biológica

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A COUVE galega é do melhor que há para a horta biológica, adaptando-se muito bem a todos os solos desde que pouco calcetados ou asfaltados. No referente ao betão, a couve tolera bem a vizinhança do betão armado ao alto. Tudo que é parede protege do vento, concentra o calor, irradiando-o durante a noite; no subsolo, a frescura do betão e a água que dele por vezes escorre, atrai a minhoca e o micro-organismo que, juntos, favorecem a produção de adubo orgânico, vulgo estrume. As experiências com solo horizontal betonado não deram resultados satisfatórios por excessiva dureza, impermeabilidade e variação brusca de grau de humidade e secura; este habitat é totalmente repulsivo para a minhoca, também.

Ao contrário destas conclusões que são de fácil compreensibilidade, é difícil definir a agricultura biológica. O adjectivo parece simples porque todos os dicionários dizem que é relativo aos seres vivos – como a couve e as minhocas -, e que é da biologia ou a ela relativo. Se for arma, é porque se usam organismos vivos como as bactérias ou os vírus para espalhar doenças e matar; se forem filhos, é porque não são adoptivos. Excluindo a horta enquanto arma ou relação genética, tem sido difícil encontrar outras que não sejam biológicas. Seriam hortas mecânicas ou electrotécnicas, por exemplo, onde seriam cultivados os próprios motores de rega e, quem sabe, tractores, se o solo fosse de feição e o engenho do hortelão não esmorecesse. Com a fervura da electrónica e da informática, aqui há uns anos apareceram umas hortas electrónicas com o nome de FarmVille. Um aborrecimento… e não havia couve galega por dificuldade em controlar a mutação genética da espécie ao passar do mundo bio para o electrónico e do real para o virtual. Erro crasso. Toda a horta que funcione há-de ser biológica mesmo que no mundo da ficção se conheçam filmes que se chamam laranja mecânica. É ficção, como se disse, e em bom rigor, a laranjeira é do pomar e não da horta.

Ao contrário, o sucesso da combinação da horta de couve galega aconchegada a muro de betão tem sido um sucesso tal que não pára a construção desses grandes muros alternados por talhões de terra prontos a cultivar. A escala destes empreendimentos ultrapassa o gigantismo das catedrais, reflectindo a elevada capacidade do empreendedorismo inovador, da sustentabilidade integrada e da resiliência ambiental deste mercado emergente.

A proximidade da Rua da Estrada facilita o escoamento e o corredor central entre as paredes favorece o arejar da couve e permite uma recolha fácil e uma mobilidade perfeita ao longo das laterais. Para evitar o efeito destrutivo dos aguaceiros, do granizo e de outros meteoros que se despenham dos céus, fez-se uma cobertura unindo os muros de betão a uma cota suficientemente elevada para não provocar problemas de sombreamento. É uma obra de arte, dir-se-ia.

Por Álvaro Domingues autor de A Rua da Estrada.

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