ENTRE outras coisas, cidade foi sempre um lugar de trocas e de comércios. Para as feiras e comércio de levante, havia sempre um terreiro ou um campo da feira. Mais tarde seria aí uma praça. Na estrada, a feira improvisa‑se. Um camião de caixa aberta ou um tractor, uns abrigos de lona ou guarda‑sóis, algumas cadeiras e caixotes são suficientes.

O negócio faz‑se directamente do produtor para o consumidor. Não existem expositores, mercadoria embalada ou balcões frigoríficos. A ASAE não esteve cá. Haja quem compre e quem venda e a estrada é um mercado onde são apenas necessários clientes‑passantes.

A feira ao longo da estrada é um embrião de cidade de nómadas.

SOBRE O AUTOR: Álvaro Domingues (Melgaço, 1959) é geógrafo e professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde também é investigador no CEAU-Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo. É autor de A Rua da EstradaVida no Campo e Volta a Portugal. Colabora com o Correio do Porto desde janeiro de 2015.

Publicado originalmente em 4 de Junho de 2015

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