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Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

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4.
A pequena estátua

Presença ritual e tutelar
Companheira da sombra desenho do silêncio

3.
O velho abutre

O velho abutre é sábio e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas 

2.
Inscrição

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar. 

1.
Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.
O sol no alto, fundo, enorme, aberto,
Tornou o céu de todo o deus deserto.
A luz cai implacável como um castigo.
Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso solitário antigo
Parece bater palmas.

In Obra Poética I, Editorial Caminho, 4.º edição, página 19

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