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Sérgio Ninguém (1976)

Sérgio Ninguém (1976)

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à noite penso no silêncio
em bocados de musgo
que não falam —
permaneces num vazio estreito —
e tu. também não falas
mas espreitas o silêncio
que eu olho atentamente.

não se espera pelo silêncio —
procura-se por ele. 

 

3.
à noite
do minério desabitado
vinham morcegos
à casa do Gavião
jantar os insectos
que cercavam a luz fraca
do candeeiro exterior.

2.
fragmentos dispersos
na mesa do poeta:
uma Figueira com um pneu,
a gaiola vazia, e
fiteiras para os enxertos.


1.
os rochedos falaram
os pássaros fugiram
e as nozes
trazem luz no interior.

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