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Miguel Gomes (1975)

Miguel Gomes (1975)

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7.
As virtudes dos sentidos
na ascensão
embrutecida do sol encimado
pede ausência de luz,
aqui já nada seduz.
As azinheiras adormecem à sombra das pessoas
cinzentas,
amortalhadas pelo vazio esbatido,
um pouco de nada
nas vestes encardido.
Ribomba a noite em girândolas gulosas,
o meu peito infla e entumecem-me os olhos,
as estrelas tremeluzem
talvez saudosas (minto-me)
dos meus sonhos. 

6.
Sou do chão
da pedra
do terreno que acaricio com a mão,
do céu
e do espaço
dos dias que comigo passo
das estrelas
do universo
do que não existe e é meu.
Vestidos de cobre
metal
ornamentados
eu sou aquele que se ostenta de pobre,
anseio as tardes do amanhã
e despido
me chamem nu
para que desperte eu e me saiba
rico. 

5.
Agradeço-te nudez
pela ausência do que não me cobre,
ofereço-te respostas mudas
com um despido dia ao
– “que tens tu?”
– “não tenho nada, sou pobre”
e ainda que soçobrado não claudico
– “visto-me com este corpo, nu”
Poderia ser eu mais rico?

4.
Colho a morte que da vida nasceu
entre mim,
carril,
e a travessa que me ardeu 

3.
Na manhã em que madrugo descubro,
ensonado,
sou sujeito a caminhar sem predicado,
nem recado, 

2.
Percorro,
em passo incerto,
as rimas que tombam
sobre este dia, 

1.
Colho da mudez semeada o silêncio 

Miguel Gomes nasceu no Porto e desde escassos dias de caminho que habita na freguesia onde repousa D. Gonçalo Oveques (Cête, Paredes). Travou batalhas nas trincheiras tecnológicas (informática, gestão de produção, automação industrial), com pacíficas incursões nos campos da formação e ensino onde colheu nos olhos doutros o encontro das vozes com o silêncio. As palavras proferidas saem-lhe mudas, por isso, afirma, escreve na procura de olhares que o escrevam. Pode ser lido em serenismo.blogspot.com e nas exposições “Alma Tua” (www.almatua.com) e “Rota do Românico: Caminho de Encanto”

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