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João Paulo Seara Cardoso (1956-2010)

João Paulo Seara Cardoso (1956-2010)

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ATOR, encenador, bonecreiro e outras coisas mais, João Paulo Seara Cardoso foi, nomeadamente, o fundador do Teatro de Marionetas do Porto. João Paulo Seara Cardoso morreu, mas deseja-se que a companhia do Teatro de Marionetas do Porto continue a sua extraordinária obra, apoiada no legado por si deixado.

A melhor forma de homenagearmos João Paulo Seara Cardoso será assistirmos ao seu último trabalho como encenador, trabalho este que a morte interrompeu, mas que o Teatro de Marionetas do Porto acabou por levar até ao fim: a peça Frágil, que estará em cena até ao próximo dia 6 de fevereiro no Balleteatro, que fica na Praça 9 de Abril, vulgo Jardim da Arca de Água, aqui no Porto. Depois disso, a companhia irá levar esta peça a outros pontos do país. Não falte. A arte de João Paulo Seara Cardoso merece ser aplaudida.

Por por Fernando Ribeiro em 18 Janeiro 2011 in http://amateriadotempo.blogspot.com/

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João Paulo Seara Cardoso era um dos portuenses mais ilustres da actualidade. Num Porto que despreza a cultura e que puxa a máquina de calcular sempre que se fala do assunto, o seu Teatro de Marionetas é um dos poucos oásis neste deserto que teima em não mudar.
Com o Teatro de Marionetas do Porto, vivi alguns dos mais bonitos momentos de que me lembro. O «Exit», por exemplo (vejam o video acima), ou o «Vai no Batalha». Em relação a esta, como dizia Manuel João Gomes no Público de 9 de Julho de 1993, é o verdadeiro teatro de revista – «a linguagem forte, com mais obscenidades por minuto do que todas as revistas do Parque Mayer tiveram nos últimos seis anos».
Que o Teatro de Marionetas do Porto saiba continuar a obra do seu fundador é o que se pode desejar agora.

Por  Ricardo Santos Pinto in http://www.aventar.eu/

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João Paulo Seara Cardoso, director artístico do Teatro de Marionetas do Porto, faleceu esta noite, vítima de doença.

Este Homem de Teatro desenvolveu durante a sua vida, um trabalho que se inscreve na revitalização das tradições e, mais expressivamente, na afirmação das linguagens da contemporaneidade.
Ao longo de mais de vinte anos, a companhia evoluiu sob a visão e a orientação do seu fundador e director artístico. Num processo vivo, exigente e apaixonado foi alcançado um elevado reconhecimento nacional e internacional, o Teatro de Marionetas do Porto tornou-se numa referência para uma vasta corrente de público.
João Paulo Seara Cardoso foi protagonista de uma postura inspiradora e exemplar, que mobilizou e motivou sempre esta equipa na concretização deste projecto artístico.
Muitos dos seus desígnios ficam por cumprir, interrompidos por uma morte prematura. O choque pelo seu desaparecimento abala-nos muito e muito profundamente, mas não mais do que à sua querida família com quem partilhamos esta perda.

O funeral de João Paulo Seara Cardoso realizar-se-á amanhã, domingo, pelas 14h00, na Igreja de Cedofeita, Porto.

Teatro de Marionetas do Porto

Publicado in http://www.marionetasdoporto.pt/companhia/director-artistico

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João Paulo Seara Cardoso, director artístico e fundador do Teatro de Marionetas do Porto, faleceu ontem, ao início da noite. O funeral realiza-se amanhã, dia 31 de Outubro, Domingo, às 14h00, na igreja de Cedofeita, no Porto.

João Paulo Seara Cardoso era natural do Porto onde iniciou sua actividade teatral e formação no Teatro Universitário do Porto. Dedicou-se à pesquisa e reconstituição do Teatro Dom Roberto, fantoches populares portugueses e recebeu de Mestre António Dias a herança desta tradição secular. Efectuou, nos últimos vinte anos, cerca de mil e quinhentas representações do Teatro Dom Roberto.

Criou e dirigiu para a RTP quatro séries de programas para a infância que rapidamente se tornaram em clássicos da produção televisiva nacional: A Árvore dos Patafúrdios, Os Amigos do Gaspar, Mópi e No Tempo dos Afonsinhos.

No domínio da literatura infantil tem nove livros publicados, a maioria dos quais peças de teatro. A sua primeira obra “Dás-me um tesouro?” foi premiada pela Associação Portuguesa de Escritores.

Era director artístico e fundador do Teatro de Marionetas do Porto, tendo encenado todos os espectáculos apresentados pela companhia, desde 1988. As suas criações foram apresentadas em diversos países: Holanda, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Itália, Bélgica, Canadá, França, Suiça, Cabo Verde, Áustria, China, Brasil, Polónia, Republica Checa, Israel e Marrocos.

Com a coreógrafa Isabel Barros, com quem era casado, co-dirigiu dois espectáculos explorando o cruzamento das marionetas e da dança: “3ª Estação” e “Hamlet Machine”.

Colaborou com a companhia Visões Úteis com a encenação de três peças, com o evento Peregrinação da Expo 98, e numa co-produção Casa da Música e Orquestra Nacional do Porto.

Aquilino Ribeiro, Samuel Becket, Eugene Ionesco, Al Berto, Gregory Motton, William Shakespeare, António José da Silva, Lewis Carrol, A. Milne, Almada Negreiros, Heiner Muller, Marguerite Duras, Alfred Jarry e Luísa Costa Gomes, foram alguns dos autores encenados por João Paulo Seara Cardoso.

Era professor da cadeira de Interpretação Teatral no Balleteatro Escola Profissional.

Hoje, pelas 16h00, a sua companhia apresentará “Cinderela” no Balleteatro Auditório, em Arca d’Água.


Entrevista com João Paulo Seara Cardoso na SIC Notícias, 08/05/2009 sic.sapo.pt

Entrevista com João Paulo Seara Cardoso ao Jornal Público, 14/12/2006
quartaparede.wordpress.com

Publicado in http://fitei.blogspot.com/

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Disseram-me ontem à noite e pareceu-me que o mundo começa a cair aos pedacinhos, como uma dentadura.

Foste o meu primeiro encenador e levaste-me àquela maluqueira da EXPO 98 “Então Nuno, queres entrar nesta loucura? Vais ser visto por milhões!”

E foi assim.

E depois também entrámos em conflito.

E também nos fomos encontrando mais tarde, mais pacificamente, na rua, em espectáculos e por aí.

A última vez foi há coisa de meses perto da Esap e mais uma vez te disse que lá dava aulas, falámos do teu Museu (da Marioneta) que estava a andar, mas ainda não estava pronto.

Fazias um Roberto incrível, não me lembro quando o vi, talvez em 2003, e devo ter sido dos milhares ou do milhão de afortunados a ter-te visto a tourear o “Torinho”.
Se aquilo não tinha piada!

A tua companhia tinha feito 20 anos e tu estavas a meio de coisas.
Alguém te toureou agora.

A única consolação que imagino é que lá, onde estiveres agora, estás com o David Sobral, que te admirava e a quem as luzes também se apagaram demasiado cedo.

Um abraço
e obrigado.

Por Nuno Meireles in http://jogodramatico.blogspot.com/

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Foi um dos mais inovadores protagonistas do teatro para a infância, em Portugal, nas décadas que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Fundador e director artístico do Teatro de Marionetas do Porto, cenógrafo, escritor e professor de interpretação teatral, João Paulo Seara Cardoso (1956-2010) imprimiu, desde sempre, ao seu trabalho uma dimensão investigativa. Sem fazer tábua rasa da tradição, ao contrário de outros, a sua paixão pelas marionetas radicava num estudo dedicado à pesquisa e reconstituição do Teatro Dom Roberto (fantoches populares portugueses). Costumava, assim, afirmar que herdara de Mestre António Dias esta secular tradição a que quis e soube dar continuidade. Neste contexto, a criação do Museu da Marioneta, na histórica e camiliana Rua das Flores, no Porto, era o seu mais recente projecto.

O talento e saber de João Paulo Seara Cardoso foram postos, também, ao serviço de diversas companhias e instituições ligadas ao teatro e à ópera, para as quais encenou espectáculos. William Shakespeare, António José da Silva, Lewis Carroll, A. A. Milne, Alfred Jarry, Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, Samuel Beckett, Eugène Ionesco, Gregory Motton, Heiner Müller, Marguerite Duras, Al Berto e Luísa Costa Gomes foram alguns dos autores cujos textos levou à cena.

Com um impressivo currículo de encenação e montagem de espectáculos, em Portugal e no estrangeiro, a que se somam inesquecíveis trabalhos para televisão (A Árvore dos Patafúrdios, Os Amigos do Gaspar, Mópi e No Tempo dos Afonsinhos), João Paulo Seara Cardoso era também um relevante autor de livros para a infância, quase todos resultantes da sua actividade teatral (Óscar, Campo das Letras, 2003; Bichos do Bosque, Campo das Letras, 2008; O Senhor…, Porto Editora, 2008, entre outros títulos). Merece, por isso, releitura atenta o ensaio de Paula Garcia, «João Paulo Seara Cardoso: uma escrita “funcional” no teatro para a infância», em boa hora publicado no n.º 18 de Malasartes, de Maio de 2010 (pp. 36-43).

A derradeira produção teatral de Seara Cardoso, em cena no Porto à data da sua morte (29-10-2010), foi Cinderela, que se encontra na origem do último livro infantil que publicou (em Outubro de 2010), com a chancela da Porto Editora, na colecção Oficina dos Sonhos – texto potenciado pelas excelentes ilustrações de João Vaz de Carvalho.

Singular exemplo de recriação hipertextual e de releitura parodística de um clássico (que nos traz à memória Gianni Rodari ou Roald Dahl e as suas Revolting Rhymes), Cinderela constitui um admirável momento de humor, caricatura e ritmo dramáticos, quer pelo cómico de situações e de linguagem que tão bem explora (incorporando, por exemplo, um registo abrasileirado no discurso de várias personagens) quer pelo modo como entretece prosa e verso, narrativa e drama, quer ainda pela convocação de figuras oriundas de outros contos. E isto para não falar da cómica subversão dos traços psicológicos de algumas das personagens da história tradicional, ou das muitas alusões jocosas e críticas ao presente, a permitirem manter vivo, actual e actuante o velho enredo contado por Perrault (em finais do século XVII), por Jacob e Wilhelm Grimm (no século XX) e por outros ainda.

José António Gomes

NELA – Núcleo de Estudos Literários e Artísticos da ESE do Porto

in http://ainocenciarecompensada.blogspot.com/

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Aqueles que se revestem de magia no curso das suas vidas parecem, a quem os olha de fora e a quem se encanta com a sua magia, seres imunes ao passar do tempo, perpétuos e intermináveis…

… são narradores das estórias de que se faz o mundo, estórias que também são nossas e por isso tanto nos enfeitiça ouvi-las. Se fecho os olhos escuto o estridente barulho com que Miséria batia o ferro, e discorria de suas ladainhas ao mesmo ritmo que a forma do ferro se moldava à sua vontade; era este mais um momento eterno de uma imagem que não se apaga mais, do som ritmado e estridente do metal que não quero deixar de ouvir. Paradoxo este, qual o som e o barulho de cada estória agora que o contador se elevou em silêncio, e deste silêncio nos escuta. Qual? Pois que criando, ele sempre deveria estar ali, prolongando o prazer de olharmos em nós dentro aquilo que no palco vemos e a nós chega; e por isso não é imaginável a sua ausência, não é aceitável. E por isso mesmo: eu não a aceito. Dizia Miséria “Parece uma eternidade e afinal tudo durou um só instante”, acrescento, qualquer instante pode valer uma eternidade. Muito Obrigado João. Muito Obrigado Teatro de Marionetas do Porto. Um forte abraço.

Por Nuno Carvalho in http://www.10pt.org/

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A morte do dom Roberto De súbito, o choro. Brevemente, por estar num lugar público. Alguém, por sms, me dizia que João Paulo Seara Cardoso tinha morrido, vítima de cancro (eu nem sequer sabia). Conhecia o João Paulo há mais de trinta anos, no início aprendemos com os mesmos mestres fantocheiros (António Dias e Francisco Esteves). Ele herdou a arte dos robertos (era o mais talentoso) e ainda há dias veio mostrá-la à Feira de São João, aqui na Guarda. Parecia feliz, com as suas filhas e a sua mulher. Morreu anteontem o João Paulo, criador do Teatro de Marionetas do Porto. Excelente criador, ela tinha admiradores por todo o lado (a sua última peça Wonderland foi vista na Guarda há pouco tempo). Era o nosso melhor encenador de marionetas. E há quem também se lembre dos seus trabalhos para a televisão: Os amigos de Gaspar ou A árvores dos estapafúrdios! Era um excelente amigo, um homem bom. Que morreu. Merda de vida!

Por Américo Rodrigues in http://cafe-mondego.blogspot.com/

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Ainda bem que choveu. Sol seria demasiada ingratidão. Não para ele, que iluminou as nossas vidas com a vida que deu a tanta história, mas para nós que só na chuva podíamos encontrar o sentido para o frio que sentíamos. João Paulo Seara Cardoso partiu e o Porto ficou mais cinza. Vai fazer muita falta a alma que tornou o Porto uma cidade das marionetas, que nos deus o riso de Vai no Batalha e o siso da Miséria e que nunca se rendeu, nunca deixou de ser um cidadão completo, de cabeça erguida. Acreditem, sei o que digo, homens como ele não abundam. Nesta cidade, onde um dia se anunciou que o Rivoli aceitava alugar-se para batizados e casamentos devemos continuar a encher o Teatro de Marionetas do Porto e a velar para que o Museu das Marionetas, com que ele sonhava, possa acontecer. Ele não merece menos.

Por David Pontes in http://portoponto.blogs.sapo.pt/data/rss

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