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Ângelo de Sousa (1938-2011)

Ângelo de Sousa (1938-2011)

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MORREU, terça-feira à noite, no Porto, aos 73 anos, o artista plástico Ângelo de Sousa, um dos maiores nomes da arte contemporânea. Introdutor do minimalismo em Portugal nos anos 60, Ângelo de Sousa representou o país em várias bienais, como a de S. Paulo e de Veneza.

Vítima de doença prolongada, Ângelo de Sousa morreu pelas 22 horas de terça-feira, na sua residência, na Foz do Douro.

Com uma vida intensa dividida entre a arte – pintura e escultura -, a investigação e o desenvolvimento de técnicas inovadoras e a docência na Faculdade de Belas Artes do Porto, Ângelo de Sousa desde cedo chamou as atenções. Em 1959 realizou a sua primeira exposição na extinta galeria Divulgação, ao lado de Almada Negreiros.

Nasceu em Moçambique, em 1938, e passou a viver no Porto desde 1955. Concluiu o curso de pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde leccionou várias disciplinas do mesmo curso e chegou a professor catedrático.

Integrou o grupo “Quatro Vintes”, com Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, assim denominado por todos terem concluído a licenciatura com a classificação de 20 valores. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian por várias vezes, e obteve também uma bolsa do Consulado Britânico (“The British Council Scholarship”).

Mas Ângelo de Sousa não se ficaria apenas pela pintura, tendo feito diversas incursões na área da escultura, fotografia, cinema e gravura. Integrou múltiplas representações portuguesas, nomeadamente na Bienal de Veneza, em Itália, e na Bienal de S. Paulo, no Brasil.

Obteve vários prémios nacionais e internacionais, nomeadamente na 13.ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, e em 2007 a Fundação Gulbenkian agraciou-o com o primeiro Prémio Gulbenkian, na categoria Arte. Também foi distinguido com o Prémio EDP e o Prémio Amadeo de Souza Cardoso.

Em 2001, a Fundação de Serralves organizou uma exposição, a que deu o nome Ângelo de Sousa: fotografia e cinema”, que reuniu pela primeira vez o conjunto de trabalhos experimentais desenvolvidos pelo artista nas áreas da fotografia e do cinema, em que Ângelo de Sousa desenvolveu projectos pioneiros no contexto da arte portuguesa e internacional. A mostra foi acompanhada por uma escultura permanente para os jardins do Museu de Arte Contemporânea de Serralves.

O funeral de Ângelo Sousa terá lugar, sexta-feira de manhã, e o corpo estará, a partir desta quarta-feira de manhã, em câmara-ardente na igreja de S. João da Foz.

Publicado in Jornal de Notícias

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