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Soneto do vinho por Jorge Luis Borges

Soneto do vinho por Jorge Luis Borges

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Em que reino ou século, sob que silenciosa
conjunção de astros, em que secreto dia
que o mármore não fixou, surgiu a valorosa
e singular ideia de inventar a alegria?
Com outonos de ouro a inventaram. O vinho
flui rubro ao largo das gerações
como o rio do tempo, e no árduo caminho
nos prodigaliza sua música, seu fogo e seus leões.
Na noite do júbilo ou na jornada adversa
exalta a alegria ou mitiga o espanto
e o ditirambo novo que hoje lhe canto
outrora o cantaram o árabe e o persa.
Vinho ensina-me a arte de ver a minha própria história
como se esta já fora cinza na memória.

in Museu & Outros poemas, Jorge Luis Borges, Fenda, 1982, tradução de Jorge Sousa Braga

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