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Logo que passe a monção por Carlos Tê

Logo que passe a monção por Carlos Tê

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Num banco de névoas calmas quero ficar enterrado
Num casebre de bambú na minha esteira deitado
A fumar um narguilé até que passe a monção
Enquanto a chuva derrama a sua triste canção

Sei que tenho de partir logo que suba a maré
Mas até ela subir volto a encher o narguilé
Meu capitão já é hora de partir e levantar ferro
Não me quero ir embora diga que foi ao meu enterro

Deixem-me ficar deitado a ouvir a chuva a cair
Que ainda estou acordado só tenho a alma a dormir
Como a folha de bambu a deslizar na corrente
Apenas presa ao mundo por um fio de água morrente

Nos arrozais morre a chuva noutra água há de nascer
Abatam-me ao efectivo também eu me vou sem morrer
Para que ter de partir logo que passe a monção
Se encontrei toda a fortuna no lume deste morrão?

Ópio, bendito ópio minhas feridas mitiguei
Meu bálsamo para a dor de ser
Em ti me embalsamei
Ópio, maldito ópio foi p’ra isto que cheguei
Uma pausa no caminho
Numa névoa me tornei

Ópio, bendito ópio numa névoa me tornei

in Auto da Pimenta

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