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Teresa Ribeiro, 82 anos

Teresa Ribeiro, 82 anos

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TERESINHA, como é conhecida, tem 82 anos de idade e continua a trabalhar na sua loja “Teresinha Decorações”.Apesar de não ter cumprido o seu sonho de estudar, Teresa sempre foi uma mulher de armas, tendo uma infância feliz em Nespereira, Lousada. “ Tive que sair da escola muito cedo, tinha 10 anos. Saí porque tinha que tomar conta de um sobrinho meu. Estudar era a minha paixão”, confessa-nos. A adolescência foi igualmente feliz, “continuei a tomar conta do meu sobrinho. Aprendi a fazer muita coisa, como malhas, rendas e a ser uma boa dona de casa”. No entanto, como na altura haviam poucos empregos “o meu marido foi para Évora e eu também fui. Estive lá 12 anos e meio. Lá era dona de casa e o meu marido era fiscal de uma empresa”. Ao fim de quase treze anos de um casamento feliz, “o meu marido faleceu e vim para Paredes”.

“Foram tempos difíceis. Três filhos e sem marido. Vim para cá e tive o apoio de toda a minha família. Vim trabalhar para o bazar Alegria no Lar. A loja era do sobrinho, que eu cuidei quando era mais nova. Comecei a trabalhar com ele em 1969. Depois ele abriu uma fábrica de confeções e eu fiquei com a loja”, confessou. “Encontrei dificuldades desde o primeiro dia que vim para aqui. Os primeiros anos foram muito difíceis. Não foram melhores de como são agora”, acrescentando que “Eu já passei por épocas piores do que esta que agora atravessamos. Na altura de 69 a 75 foi uma altura muito má”. Tantos anos como empresária, Teresinha confessa-nos que o seu segredo é “ter coisas bonitas e as pessoas acreditarem em mim. A confiança dos clientes é fundamental”, acrescentando que “as pessoas de Paredes ajudaram-me muito. Tive muitos clientes que vieram à minha loja. Não sei por que razão, se terá sido por ter ficado eu fiquei viúva e com três filhas. Ou porque realmente gostaram de mim.

Tenho a impressão que gostaram de mim. Eu ainda continuo cá e há senhoras que vêm até aqui passar um bocadinho o tempo e conversarem comigo”. Apesar da passagem de empregada para proprietária da loja, Teresa nunca se deslumbrou, pois sempre gostou de trabalhar de modo a organizar a vida com as três filhas. Quando questionada se nunca pensou voltar a estudar, reponde que na altura não pensou nisso, pois “ precisava do dinheiro para as minhas filhas estudarem e cumprirem elas o meu sonho”.De facto o apoio da família foi e é fundamental para a vida desta empresária de 82 anos. “Tenho seis netos e sou muito orgulhosa da minha família. Sinto-me realizada nas minhas filhas e nos meus netos”, revelando que “fiquei sozinha com as minhas três filhas e até podia ter desistido, mas não. Sempre em frente é que é”, diz-nos a sorrir. A simpatia de Teresa durante a nossa conversa foi contagiante. Ela acabou por nos confessar que “o atendimento ao cliente é o mais importante. Eu gosto de ajudar as pessoas a escolher e quero que elas levem coisas bonitas”, acrescentando que “as pessoas confiam em mim”.

No Bazar Alegria no Lar, Teresinha vendia de tudo um pouco. “Eu quando vim para Paredes só havia a minha loja a vender o que eu vendia. Gostava de ter tudo, porque assim as pessoas podiam encontrar sempre alguma coisa. Tinha tudo para todo o tipo de carteiras. Entre brinquedos, louças, edredons, toalhas bordadas”. Depois de muitos anos no Bazar Alegria no Lar, Teresinha mudou de instalações e nessa altura a loja mudou o nome para Teresinha Decorações. Apesar da loja ser o centro da cidade de Paredes, esta já foi assaltada mais de seis vezes.“Já fui assaltada mais de meia dúzia de vezes e comigo aqui dentro. “Há pouco tempo fui assaltada. Roubaram-se um Santo António. Era uma peça cara e tive pena, porque era uma peça que já fazia parte aqui da loja”Quando questionada se com estes assaltos já pensou em fechar a loja, Teresa diz convicta que “ nunca tive nem tenho medo. Eu gosto de estar aqui. É das coisas que mais gosto de fazer. Sinto-me mais nova a trabalhar. Ia estar em casa a fazer o quê?”.Quanto à atualidade confessa que agora os preços subiram de mais. “As pessoas não compram porque não têm dinheiro ou têm medo. Estão assustadas.

Fala-se tanto de crise que as pessoas compram cada vez menos”. “Os chineses apareceram e as pessoas compram mais lá. Há muita oferta”, diz-nos a empresária. No entanto, Teresa diz que ainda há pessoas que procuram a sua loja, por causa das peças de qualidade. “As pessoas procuram muito os santos. Tenho vendido razoavelmente bem”.Apesar de ter enfrentado muitos tempos difíceis, Teresa foi sempre uma mulher de luta. Quanto ao balanço de todos estes anos como empresária, Teresa revela que é positivo, realçando que “Desde que eu não deva nada a ninguém, e não devo, e a conta no banco esteja equilibrada, eu estou bem”. Para o futuro, Teresinha apenas diz que “é o que Deus quiser”.Ao falar-nos da sua vida pessoal, Teresa Ribeiro acabou por nos confessar, emocionada, um episódio que a marcou. “Antes do meu marido falecer, a comunhão da minha filha mais velha foi feita em Lousada. E ele veio cá a Paredes e gostou muito. Quando fomos para Évora, ele disse “Sabes gostei da loja do teu sobrinho. Parece que ele está com ideias de passar aquilo e eu era capaz de ficar com ela” e eu disse-lhe “Tem juízo. Estás aqui tão bem”. Passados três meses, ele faleceu e o meu sobrinho convidou-me para ficar na loja. Há coisas que não têm explicação. Portanto estou onde o meu marido queria que eu estivesse”, conclui.

Publicado in http://www.progressodeparedes.com.pt/

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