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Silvina Coelho

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SILVINA Coelho e o marido são proprietários do “Café Cantinho” e de uma empresa de venda de peixe, em Vilela. Silvina, a mais velha de 10 irmãos, contou ao nosso jornal um pouco do seu percurso pessoal e profissional até aos dias de hoje. “Tive muita pena de não ter continuado a estudar, mas não podia”, começa Silvina por confessar que fez o 3.º ano de escolaridade enquanto criança, terminando o 4.º ano em adulta.

“Eu andava na escola, mas nunca tive um livro, uma lousa, nunca tive nada. Arranjava lousas quando os ricos partiam as suas”, afirma. Silvina sempre foi inteligente e desde cedo que mostrou bastantes capacidades na escola. “Eu fazia os deveres a outras crianças, porque eu sabia muito, mas para fazer elas tinham que me trazer uma sande de marmelada. Elas também me davam os livros velhos e era assim que eu estudava”. Esta mulher de coragem teve que abandonar a escola muito cedo, porque tinha que trabalhar para ajudar a família. No entanto, Silvina confessa-nos que chorava muito por não estudar e que “pedia a Deus que chovesse, porque assim não ia para o monte trabalhar com o meu pai e só assim podia ir à escola”. A vida nunca foi branda com esta trabalhadora de garra. Aos seis anos já andava a pedir pão pelas portas, porque a família passava fome, “muita miséria”. Com apenas 9 anos começou a vender peixe.

“O meu pai ia a Matosinhos comprar o peixe e eu, com a canastra à cabeça, ia para Louredo vender”. Com uma memória precisa, Silvina diz que “já vendo peixe há 56 anos e no meu primeiro dia de vendedora ganhei nove reis. O meu pai, na altura, disse-me ‘ai minha rica filha, que bom dinheiro que tiraste’”. “Naquela altura, o meu pai deixava-me juntar algum dinheiro. Tinha muitas notas de vinte escudos, mas roubaram-mas. Fiquei sem nada”, afirma. Aos 14 anos, Silvina Coelho começou a namoriscar e casou com apenas 16 anos. “Casei com o enxoval debaixo do braço, dois pratos e duas tijelas. Os meus tapetes de casa eram sacos de serapilheira”. No dia seguinte ao casamento, Silvina foi vender peixe de canastra à cabeça. “Nunca tive medo do trabalho e não quero parar de trabalhar tão cedo. Ainda trabalho 16 horas por dia”. “Aos dezassete já tinha um filhos e aos 30 já eram dez. Tive 12 filhos, mas perdi quatro”, diz-nos Silvina, revelando que “passei muitos trabalhos para os criar. Sete filhos numa cama, mas nunca lhes faltou nada”

Publicado in http://www.progressodeparedes.com.pt/

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