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Rui Nunes, 48 anos

Rui Nunes, 48 anos

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CONVICTO que é “fundamental para uma sociedade plural, democrática e moderna”, Rui Nunes defende, há cerca de 20 anos, a legalização do testamento vital em Portugal. Para além da excelência académica e profissional que o distingue (é Doutorado em Medicina na área da Bioética e Professor Agregado nas áreas de Sociologia Médica e de Bioética), Rui Nunes é professor catedrático e director do Serviço de Bioética e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Sob a sua responsabilidade estão os cursos de Mestrado em Cuidados Paliativos, de Doutoramento em Bioética e de Pós-Graduação em Gestão e Administração Hospitalar da mesma Faculdade.

Presidindo a Associação Portuguesa de Bioética (APB) desde 2002, o especialista em Ética Médica é também membro do Conselho Nacional de Evidência para a Medicina da Ordem dos Médicos e administrador da Fundação Ciência e Desenvolvimento. Outro dos cargos assumidos, que contribuiu para o seu reconhecimento público, foi a presidência da Entidade Reguladora da Saúde, em 2004 – o professor da FMUP foi o primeiro a desempenhar tais funções.

Com 110 trabalhos e pareceres por extenso e 610 comunicações em eventos científicos, nacionais e estrangeiros, Rui Nunes assina obras como “Questões Éticas do Diagnóstico Pré-Natal na Doença Genética”, “Perspectivas na Integração da Pessoa Surda”, “Política de Saúde”, “Desafios à Sexualidade Humana”, “Eutanásia e Outras Questões Éticas no Fim da Vida” e “Bioética”, entre outras.

– O que menos gosta na Universidade do Porto?

A Universidade do Porto é uma grande universidade a todos os títulos. Quer em número de estudantes, quer na produção científica, quer no prestígio que hoje lhe é reconhecido a nível internacional. No entanto, talvez esta grande dimensão seja a sua principal fraqueza. Em especial, a separação física das suas unidades orgânicas leva a que as pessoas se conheçam mal e interajam pouco. Consequentemente diminui o grau de proximidade, fazendo com que não se explorem devidamente sinergias que poderiam ser de outro modo obtidas. Contudo, tem-se evoluído consideravelmente neste domínio ao longo dos últimos anos.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Na esteira das preocupações que acabei de expor, talvez se pudesse melhorar a Universidade do Porto aprofundando-se a noção de campus universitário. E assim reforçar os laços de solidariedade interinstitucional e interpessoal. Nas áreas em que eu lecciono e investigo um exemplo destas sinergias seria uma melhor interacção entre a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Direito. E, assim, fazer uma ponte adequada entre a Bioética e o Biodireito, reunindo especialistas de reconhecido mérito de ambas as instituições.

– Como prefere passar os tempos livres?

Tenho o gosto pela leitura e pela escrita. Mas é sobretudo a escrever que me realizo dado que é uma forma sublime de expressão e de criatividade. Sobretudo em áreas inovadoras onde a escrita se possa traduzir numa mudança social assinalável.

– Uma ambição?

Deixar como legado à Universidade do Porto uma sólida escola de pensamento nas áreas da Bioética e do Biodireito. Uma escola com prestígio nacional e internacional e que coloque o nosso país na rota dos países mais desenvolvidos nesta matéria. O protocolo que a Universidade do Porto estabeleceu com o Conselho Federal de Medicina – organismo que tutela os 350 mil médicos brasileiros – para a formação pós-graduada (doutoramento) nestes domínios científicos antevê que pelo menos no mundo lusófono esta ambição possa ser alcançada.

– Uma luta que mereça ser travada?

Legalizar o Testamento Vital em Portugal. Quando em 1993 efectuei as Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto sobre este tema não podia antecipar que uma década mais tarde estaria a propor à Assembleia da República a sua legalização em Portugal. Mas, como em todas as lutas por causas justas, a sensação de isolamento inicial vê-se gratificada pela adesão maciça de largos segmentos da sociedade que se identificam com um punhado de valores e de princípios que consubstanciam importantes conquistas civilizacionais. É o caso da legalização do Testamento Vital.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Gostaria de um dia visitar a China em pormenor. Em primeiro lugar pela sua riquíssima cultura que em larga medida tem condicionado a primazia do mundo judaico/cristão que se impôs ao longo dos últimos dois milénios. Mas, também, e numa perspectiva mais actual, para compreender o mistério do desenvolvimento económico de um país que se transformou profundamente ao longo das últimas décadas.

– Um livro preferido?

Os Maias. Porque retrata de forma exemplar o nosso povo e a nossa sociedade. Mas também porque demonstra que não estamos condenados geneticamente a ser o que somos. Não estamos condenados ao subdesenvolvimento, à pobreza de espírito e à mediocridade. Podemos mudar. Devemos mudar.

– Um disco preferido?

Best Of – Billy Idol. Porque consegue conciliar a irreverência com a tranquilidade nas suas músicas.

– Um prato preferido?

Qualquer prato de bacalhau. Porque, apreciando particularmente pratos de peixe, o bacalhau associa a sua especificidade ao modo de ser português. Cada ano que passa não apenas aprendo novas formas de servir o bacalhau como aprecio cada vez mais o seu paladar.

– Uma inspiração?

Ajudar Portugal a ser um país moderno e competitivo. É uma inspiração que se deve transformar num desafio, no sentido de contribuir activamente para que o Portugal pós-revolucionário consiga mobilizar os mais jovens para o progresso económico sem esquecer a coesão social. Devemos ter esta inspiração em homenagem às gerações vindouras.

in http://noticias.up.pt/

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