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Pedro Beja, 44 anos

Pedro Beja, 44 anos

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PEDRO Beja acaba de ter uma “experiência única e inesquecível”: trabalhar na amazónia brasileira, “um lugar de eleição para qualquer biólogo”, reconhece, não só pela beleza natural, mas também, e nomeadamente, pela “biodiversidade excepcional”. Mas trabalhar em locais como este, particularmente em florestas inundáveis, coloca vários problemas, nomeadamente “de logística e mesmo de resistência física que só muito dificilmente são resolvidos”. No entanto, acrescenta Pedro Beja, “todos os desafios foram ultrapassados pela equipa de quatro jovens investigadores que fez o trabalho de campo em regime intensivo, em dois períodos contínuos de três meses, que permitiram recolher um conjunto valioso de informação biológica que está agora a ser publicado nas melhores revistas científicas da especialidade”.

O trabalho de campo foi executado essencialmente por uma equipa de jovens investigadores do CIBIO e da FCUP. O projecto leva-nos até 2007, quando o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO/UP) desenvolveu com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUP), um projecto de investigação sobre biodiversidade na amazónia brasileira.

O projecto, financiado pela FCT, tinha como objectivo determinar a forma como os padrões de inundação e o conteúdo em nutrientes das águas influenciam as comunidades de aves e morcegos das florestas húmidas neotropicais. Para isso, foram realizadas amostragens em florestas que nunca inundam (Terra Firme), e em florestas inundáveis por águas ricas em nutrientes (Várzea) e pobres em nutrientes (Igapó), durante a época húmida (Abril-Junho) e a época seca (Outubro-Dezembro). O estudo desenvolveu-se numa região remota da amazónia, cerca de 500 km a oeste de Manaus, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Amanã (23500 km2). Esta Reserva, em conjunto com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e o Parque Nacional do Jaú, formam o chamado Corredor Ecológico Central da Amazónia, que constitui a maior área contínua de floresta tropical protegida do mundo.

Uma das conclusões do projecto determina que a inundação e a variação dos nutrientes da água promovem a heterogeneidade espacial e temporal das condições ambientais, o que contribui para a diversidade das comunidades de aves e morcegos. O estudo concluiu também que as áreas protegidas na Amazónia deverão incluir mosaicos heterogéneos de terra firme e florestas inundáveis, de forma a maximizar o seu valor para a conservação da biodiversidade. As florestas inundáveis constituem refúgios importantes para algumas espécies, sendo ao mesmo tempo mais ameaçadas devido à sua acessibilidade ao longo dos rios.

Licenciado em biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (1989) e doutorado em zoologia pela Unversidade de Aberdeen (1995), Pedro Beja é investigador do CIBIO. Tem feito investigação na área da biologia de conservação e coordenou vários projectos científicos relacionados com a conservação e gestão da biodiversidade em ecossistemas agrícolas e florestais.

– O que mais gosta e o que menos gosta e uma ideia para melhorar na Universidade do Porto?

Sou um recém-chegado à Universidade do Porto, pelo que tenho uma capacidade muito limitada para apontar os seus pontos fortes e fracos, bem como possíveis ideias para a melhorar. Até ao momento, gostei dos esforços da Universidade para promover a investigação e a sua aposta na internacionalização.

Parece-me também haver uma tentativa positiva de desburocratizar procedimentos e agilizar processos, pelo menos quando comparado com outras universidades nacionais com quem já colaborei. Felizmente ainda não tive más experiências. A meu ver, um dos eixos centrais para a melhoria da U.Porto, como aliás de todas as universidades, passa pelo esforço constante em sair de si mesma e ir ao encontro das necessidades reais da sociedade, tanto em termos académicos como de investigação. Neste sentido, parece-me importante que a Universidade reforce as componentes mais aplicadas do ensino e investigação, não descurando contudo o seu papel fundamental na promoção das componentes mais fundamentais do saber.

– Como prefere passar os tempos livres?

Viajar.

– Um livro preferido?

As preferências literárias variam ao longo do tempo e com as próprias leituras que se vão fazendo. Destaco alguns livros que me têm marcado por motivos diversos: Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll), A Peste (Albert Camus), O Processo (Franz Kafka), As Moscas (Jean-Paul Sartre), Nocturno Indiano (António Tabucchi), As Cruzadas Vistas pelos Árabes (Amin Maalouf), Memorial do Convento (José Saramago), O Nome da Rosa (Umberto Eco), Crónica do Pássaro de Corda (Haruki Murakami), Por Quem os Sino Dobram e o Velho e o Mar (Ernest Hemingway), A Mãe (Máximo Gorki), Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez), ….
– Um disco preferido?

A música é como as cerejas, um disco puxa outro: Cantigas do Maio (José Afonso), Por Este Rio Acima (Fausto), A Cantar ao Sol (Janita Salomé), Friday Night in San Francisco (Al di Meola, John McLaughlin & Paço de Lúcia), Mozart Sessions (Bobby McFerrin & Chick Corea), Porgy and Bess (tocado por Miles Davie ou cantado por Louis Armstrong e Ella Fitzgerald), Moffou (Salif Keita), Ópera do Malandro (Chico Buarque), Diáspora Sefardí (Hesperion XXI), The Koln Concert (Keith Jarrett), Istanbul – Dimitrie Cantemir (Jordi Savall), ….

– Um prato preferido?

Os pastéis de massa tenra da minha avó, que não voltarei a provar. O peixe grelhado no carvão, no jardim de casa dos meus pais. Os “diversos” (combinação variada de queijos secos regionais, farinheira ou alheira assada, salada verde, tomate com mozzarela no forno, ovos de codorniz, pasta de atum, pão de alho, ….) em minha casa com a família, à sexta-feira ao jantar.
– Um filme preferido?

Não sou particularmente cinéfilo. Os filmes que mais gosto mais são aqueles em que há uma relação feliz entre a imagem e a banda sonora. Por esta razão, gosto muito de filmes como “One from the Heart” (Francis Ford Coppola), “Bagdad Cafe” (Percy Aldon), “Tous les Matins du Monde” (Alain Corneau), Frida (Julie Taymor), ou “Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulenc” (Jean-Pierre Jeunet), entre muitos outros.

in http://noticias.up.pt

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