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Nuno Canavez, 76 anos

Nuno Canavez, 76 anos

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ENTRAR na Livraria Académica requer tempo. Para olhar as centenas de livros, com lombadas dispostas lado a lado, para pesquisar relíquias assinadas por Aquilino, Eça e outros tantos escritores, mas, sobretudo, para conversar com Nuno Canavez, um dos mais conhecidos e letrados alfarrabistas da cidade. “É a profissão mais bonita que conheço”, diz. Não duvidamos.

Só de olhar para ele e perceber a forma embevecida como fala da sua livraria que faz, em novembro, um século de vida. Apesar de pequena pelo menos, a área de acesso ao público é rica em património cultural.

Nas mãos, Canavez, 76 anos, segura um pequeno mas valioso exemplo do que tem ali dentro: o livro Pão Ázimo, de Miguel Torga, com uma dedicatória do poeta. Está à venda por €2500. “A dedicatória de um livro pode ter muita influência na sua valorização”, confirma. Em tempos, Torga foi, aliás, um dos clientes. Tal como José Régio, Leonardo Coimbra e tantos outros. Académicos, poetas, médicos … “Alguns levavam livros para casa só quando sabiam que a mulher não estava, para ela não se aperceber da compra”, recorda, entre risos. Hoje, a classe médica é o principal cliente.

Foi, muitas vezes, chamado para comprar bibliotecas particulares, mas acredita que as pessoas se desfazem menos facilmente dos livros. “Hoje retêm-nos mais tempo como sinal de investimento”, ao mesmo tempo que há a noção que “ao comprar primeiras edições se vai construindo um património”. Nuno Canavez é proprietário da livraria onde entrou com apenas 13 anos para trabalhar como “marçano”, o moço de recados do Sr. Joaquim Guedes da Silva, o fundador.

Oriundo de Vale de Juncal, Mirandela, aqui se fez homem e tomou o gosto à leitura. Que lhe continua a preencher os dias e os pensamentos. O alfarrabista detesta as novas tecnologias. “Os computadores, essa máquina diabólica, destruíram as enciclopédias. Hoje não se vendem, está tudo no computador, ocupam menos espaços, são mais baratas.” Há dias entrou-lhe ali dentro um jovem de 16 anos à procura de Os Maias. O rapaz espantou-se quando viu o tamanho do livro. “Não tem o resumo? É que isso não vou ler”, afirmou-lhe. O que mais incomoda Nuno Canavez é a falta de leitores.

Em novembro, na celebração dos 100 anos da livraria, quer publicar mais um volume da sua Bibliografia sobre Trás-os-Montes, e, fazer, uma exposição sobre a renascença portuguesa. Retirando das prateleiras da Académica algumas das suas relíquias. Porque, como gosta de afirmar, “o livro tem que ser arejado, deixar que o ar lhe percorra as páginas….”

Livraria Académica
R. dos Mártires da Liberdade, 10
T. 22 2005988
Seg-Sex 9h-12h30, 14h30-19h, Sab 9h-12h30

 

Ler mais: http://visao.sapo.pt/casas-com-historia=f658165#ixzz1rxUvg3uq

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