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Miguel Ricou, 45 anos

Miguel Ricou, 45 anos

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É PSICÓLOGO, docente e um investigador arrojado, atrevendo-se a tocar em matérias que ainda são tabus. Miguel Ricou é atualmente investigador integrado do ManEthics, do CINTESIS, Unidade de I&D da Universidade do Porto, e autor de uma obra pioneira na área da Ética profissional. Educação sexual, aborto e eutanásia são algumas das áreas de estudo do também professor da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP). Recentemente, fundou a plataforma europeia “Wish to Die”, que visa dar um contributo para a discussão nesta matéria.

Em 1991, inaugurou o curso de Psicologia no Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte. Aí conheceu Rui Nunes, seu professor, que o convidou a ingressar no Serviço de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Corria o ano de 1996 e a investigação era sobre surdez. “Comecei então a perceber na Ética uma ligação com a Psicologia. A Ética é a ciência da relação e a Psicologia tem como instrumento de trabalho a relação”, explica.

Ao mesmo tempo que dava aulas e consultas num consultório privado, fez o Mestrado em Bioética na FMUP com uma tese sobre os princípios éticos dos psicólogos, que resultou no livro “Ética e Psicologia: uma prática integrada”. Integrou projetos na área da toxicodependência e montou uma consulta de Psicologia no Centro de Saúde de Espinho, onde recebia os doentes da comunidade e os beneficiários do então chamado rendimento mínimo garantido. No início do milénio, criou um serviço de Psicologia no Centro de Saúde de São João, provando que a intervenção do psicólogo é capaz de baixar o recurso ao médico de família.

Fez sempre questão de conciliar a prática clínica com a docência e com a investigação. “Acho que a clínica é fundamental. Se não temos um contacto com a clínica, ficamos limitados na perceção prática do impacto da Ética”, diz. Participou na criação da Ordem dos Psicólogos, tendo sido um dos responsáveis pela criação do Código Deontológico, onde estão plasmados os princípios éticos dos psicólogos portugueses, tema que desenvolveu no seu Doutoramento em Psicologia Clínica pela Universidade de Coimbra, finalizado em 2012. Entre 2010 e 2014, foi presidente do Conselho Jurisdicional desta Ordem profissional e, desde 2015, é presidente da Comissão de Ética, onde desenvolve um trabalho de mediação e de ajuda na tomada de decisões.

Como investigador do CINTESIS, tem desenvolvido várias linhas de investigação, concentrando-se atualmente em dois projetos, um sobre a identidade da Psicologia e outro sobre a eutanásia e o suicídio assistido. Miguel Ricou é um dos fundadores da plataforma europeia “Wish to Die”, que integra profissionais de saúde, como psicólogos e psiquiatras, mas também profissionais de outras áreas, e tem quatro linhas de estudo: o processo de tomada de decisão, o tempo necessário para uma possível mudança de opinião, a relevância da motivação familiar e o papel dos cuidados paliativos.

Esta investigação pretende ser um contributo para a discussão que se vislumbra para 2018, com a apresentação no Parlamento de um projeto-lei do Bloco de Esquerda e outro do PAN sobre eutanásia e do suicídio assistido. “Temos de perceber qual é o melhor interesse das pessoas. Há decisões que não podem ser baseadas em razões ideológicas”, sublinha.

Naturalidade?
Porto, freguesia da Vitória.

Idade?
45 anos.

De que mais gosta na Universidade do Porto?
Da dimensão, da diversidade, das oportunidades.

De que menos gosta na Universidade do Porto?
Da dispersão.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
Nós vivemos muito a Faculdade e menos a Universidade. Acho que quanto mais conseguirmos criar projetos que integrem as diferentes faculdades, mais Universidade nos sentiríamos.

Como prefere passar os tempos livres?
Com a família e com os amigos, de forma descontraída, sem planos.

Um livro preferido?
“Crónica de uma Morte Anunciada”, de Gabriel García Márquez.

Um disco/músico preferido?
A resposta que me vem ao coração é o Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, que era meu amigo.

Um prato preferido?
Rim à francesa, que a minha avó fazia e que eu faço agora.

Um filme preferido?
Talvez “Kill Bill”, do Tarantino, ou “Snatch” (Porcos e Diamantes). Também gostei muito do Trainspotting.

Uma viagem de sonho?
Uma viagem com a minha mulher.

Um objetivo de vida?
Vou dar a resposta clássica: ser feliz.

Uma inspiração?
Eu já perdi os heróis há muito tempo… E tive muitos…

Planos para o futuro?
Levar os meus dois projetos para a frente.

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