1772
0
COMPARTILHAR
Inicio Do Porto Marta Cruz, 3...

Marta Cruz, 31 anos

Marta Cruz, 31 anos

0
1772

A CRISE não está a afectar a artesã Marta Cruz, de 31 anos, de Amarante, que garante ser a mais jovem tecedeira do país. Usando teares tradicionais em madeira, Marta trabalha até 12 horas por dia. A matéria-prima que utiliza é o linho natural.

«Felizmente, não me falta trabalho. Vendo tudo o que produzo, de norte a sul do país», afirmou, lembrando que participa nas maiores feiras de artesanato, sempre a convite das organizações.

«Chamam-me porque gostam do que faço, que é tradicional», disse. Sentada junto ao tear de madeira, na pequena oficina da freguesia rural de Fridão, Amarante, onde chega a trabalhar 12 horas por dia, ajudando a transformar linho natural em complicadas colchas coroa de rei, garante que o seu sucesso reside na paixão pelo artesanato.

«Dá muito trabalho, mas é isto que eu gosto de fazer», acrescentou, agradecendo à mãe os ensinamentos iniciais.

Na sala encontram-se, lado a lado, três teares manuais de madeira, usados pacientemente por artesãs para, com movimentos ritmados, entrecruzar teias de algodão, linho ou lã.

Além das peças com modelos mais tradicionais, a artesã tem procurado, com sucesso, abordar outras formas para, com a mesma arte, ir de encontro aos gostos dos clientes mais jovens, utilizando formas geométricas e personalizadas e cores mais arrojadas.

«Vendo muito para os jovens», disse, exibindo, com orgulho, uma réplica, em lã, de cores vivas, de uma tela do pintor de Amarante, Amadeo de Souza-Cardoso.

Marta Cruz começou a trabalhar por conta própria há 11 anos. Estava desempregada e decidiu transformar em negócio um ofício que praticara desde criança.

Hoje dá emprego a mais uma artesã, que também manuseia um tear tradicional, e conta com a ajuda preciosa da mãe.

Da pequena empresa saem todos os dias toalhas, tapetes colchas e telas. As peças, garante, são integralmente executadas de acordo com os métodos tradicionais, nos três teares de madeira do seu ateliê, réplicas dos utilizados há centenas de anos nas serranias de Amarante.

A artesã assinala que, há não muito tempo, havia na região mais de uma centena de mulheres a tecer, mas hoje não chegam a uma dezena, quase todas com idade avançada.

«Os jovens não querem isto, porque dá muito trabalho e não é muito rentável», explicou.

Apesar de algumas de peças totalmente em linho natural poderem custar 750 euros, a tecedeira considera que esse dinheiro não compensa o trabalho das obras mais caras, que podem demorar três semanas a urdir.

Mas Marta Cruz não é só tecedeira. Diariamente não pode descurar a componente empresarial da sua actividade, como visitar fornecedores e clientes, a maioria armazéns e lojas, para comprar matérias-primas ou vender o seu produto.

Nesse tipo de clientes, observa, comercializa sem dificuldades os produtos mais acessíveis.

«Como estamos em crise, tenho por vezes de fazer aquilo que é mais vendável», admitiu.

As peças mais caras ficam guardadas para as feiras de artesanato, como a de Lisboa, Aveiro ou Vila Franca de Xira, onde todos os anos não faltam interessados em desembolsar algumas centenas de euros por elaboradas colchas, tapetes e toalhas em linho natural, algodão e lã. «Vendo muito bem para os nossos emigrantes e para os turistas», disse ainda.

Nas feiras de artesanato, Marta Cruz evidencia-se por ser uma jovem desempenhando uma actividade quase extinta. «Gosto muito de fazer feiras. Além das vendas, também tenho prazer em mostrar aos visitantes como se fazem estas peças, também para eles perceberem a razão de serem caras», contou.

A mãe, Alice Teixeira, sempre atenta ao rebuliço da oficina, que ensinou a arte à filha, diz estar orgulhosa do sucesso de Marta.

«É uma pessoa muito inteligente. Ela aprendeu tudo comigo muito depressa só de olhar para mim a trabalhar», disse.

Por Café Portugal/Lusa in http://www.cafeportugal.net/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here