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Maria do Alívio Maio Paroleiro (1938)

Maria do Alívio Maio Paroleiro (1938)

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MARIA do Alívio Maio Paroleiro (tia Bolita) nasceu em 1938, na Rua Elias Garcia, na Póvoa de Varzim. Casou com Viriato Novo e teve 11 filhos, oito raparigas. Ainda menina já ajudava a mãe a vender peixe. Aos 14 anos foi trabalhar para a indústria conserveira e fez as safras da sardinha durante seis anos. Depois de casar dedicou uma vida inteira à venda de peixe nas aldeias da Póvoa.

“Fiz a primeira classe e saí da escola para ajudar a minha mãe. Sei assinar e ler alguma coisa porque aprendi quando fui aos 12 anos para o coro da Igreja de S. José. Também cantava no coro da Capela do Desterro e da Basílica do Coração de Jesus”, recorda Maria do Alívio.

O seu pai era pescador na lancha “Fé em Deus”, propriedade do arrais “Fome Negra”, um velho lobo-do-mar. “O meu pai era o pai dos ‘rapazes’, levantava-se mais cedo para bater à porta dos outros pescadores e mandá-los para o mar. Cada um levava as suas redes, ou emprestadas. Se a rede fosse emprestada o peixe era a meias. O pescador que pescasse mais, depois de entrar na barra, ia para a proa e metia o pano (vela) ao ombro. Era para as mulheres que estavam na praia verem”.

Maria do Alívio revive os tempos das lanchas: “Ia com a minha mãe para a praia esperar a “Fé em Deus”. O peixe do meu pai estava marcado com um espigão. Carregávamos nas caixas, subíamos o areal e depois a minha mãe leiloava o peixe. Era o leilão da roda, onde as peixeiras, como a Susana, vinham comprar para a revenda. Quem vendia nas aldeias também comprava”.

Depois era preciso lavar as redes e estendê-las no areal, para secarem. “Por cinco coroas (1,25 cêntimos) lavei muitas vezes as redes do ‘Fome Negra’. Também ajudei a mulher, a tia Virgínia, a encascar redes. Ela tinha uma casinha ao fundo do quintal onde fervia a casca de pinheiro. Depois íamos para o areal para mergulhar, encascar as redes e pô-las a secar. Quando os barcos não iam ao mar, os panos, os cabos e os apetrechos de pesca, eram guardados pelos pescadores no armazém do Três de Maio, que ficava perto do Castelo”, recorda tia Bolita.

As filhas do mar, no tempo da safra da sardinha iam trabalhar para as fábricas de conservas: “Trabalhei seis anos na Exportadora, nas Caxinas. Éramos três raparigas numa mesa. Eu cortava rabos e cabeças e punha na lata, quatro grandes ou oito pequenas, a outra punha tomate e a terceira colocava a cebola. Depois passava pela máquina dos azeites e fechava. Nos meses que não havia sardinha para enlatar voltava para a língua da maré para descarregar o peixe dos barcos, às vezes à carrela até cá cima”.

Leia a notícia na íntegra na edição impressa da A VOZ DA PÓVOA.

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