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Margarida Carvalho, 30 anos

Margarida Carvalho, 30 anos

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AOS 30 anos, Margarida Carvalho, doutorada em Ciência de Computadores pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e antiga investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), tornou-se recentemente a primeira portuguesa a conquistar o EURO Doctoral Dissertation Award (EDDA), galardão que premeia a melhor melhor tese de doutoramento da Europa na área de investigação operacional. O  trabalho distinguido apresenta pela primeira vez um jogo capaz de modelar programas de trocas de rins, envolvendo hospitais de vários países.

Distinguida sobretudo pela originalidade e novidade do tema, a tese de Margarida cruza duas áreas científicas – a otimização combinatória e a teoria dos jogos – ao mesmo tempo que apresenta uma aplicação prática na área da saúde, neste caso, a possibilidade de maximizar o número de dadores compatíveis e minimizar a perda de oportunidades nos transplantes renais.

Este potencial da matemática para resolver problemas reais foi uma das razões que levou a investigadora a escolher a licenciatura em matemática na FCUP e, em seguida, o mestrado em Engenharia Matemática. Em 2010, ainda estudante de mestrado, decidiu concorrer a uma bolsa do INESC TEC na área da teoria dos jogos, oportunidade que lhe abriu portas para trabalhar no Centro de Engenharia e Gestão Industrial.

Seguiu-se depois o doutoramento em Ciência de Computadores. Nessa altura, integrou, no INESC TEC, um grupo composto por vários investigadores que trabalhavam no desenvolvimento de modelos matemáticos para programas de doação renal cruzada. Desse contacto, surgiram os contornos da tese de Margarida Carvalho, que a escreveu e defendeu em 2016, sob a orientação de João Pedro Pedroso, docente da FCUP e investigador do INESC TEC, e de Andrea Lodi, do Departamento de Engenharia da Universidade de Bolonha (Itália). Continuou depois ligada ao INESC TEC como investigadora de pós-doutoramento até março de 2017, altura em que se mudou para o Canadá, na sequência de um convite para trabalhar como bolseira de investigação no Departamento de Matemática e Engenharia Industrial da Universidade Politécnica de Montreal.

Em agosto deste ano, iniciou a sua carreira como professora assistente na Universidade de Montreal, no Canadá.

Naturalidade?
Porto

Idade?
30 anos

De que mais gosta na Universidade do Porto?
Da qualidade do ensino com um corpo docente que em geral sabe entusiasmar os alunos.

De que menos gosta na Universidade do Porto?
O distanciamento físico entre as diferentes faculdades que compõem a Universidade do Porto. Parece-me que este elemento diminui o potencial de criar um ambiente multidisciplinar do qual alunos e docentes beneficiariam.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
Melhorar a comunicação entre os serviços de maneira a permitir agilizar a movimentação interuniversitária internacional. Seria importante simplificar estes procedimentos, a fim de evitar que os alunos se deparem com problemas.

Como prefere passar os tempos livres?
A jogar jogos de tabuleiro com amig@s.

Um livro preferido?
Ode to Kirihito, de Osamu Tezuka.

Um disco/músico preferido?
Fiona Apple.

Um prato preferido?
Bacalhau com natas.

Um filme preferido?
Tokyo Godfathers.

Uma viagem de sonho?
Gostava de ir ao Japão.

Um objetivo de vida?
Como todo o investigador, contribuir na ciência de forma a melhorar a nossa sociedade.

Uma inspiração?
Alan Turing.

Como surgiu o tema da sua tese de doutoramento e a sua aplicação à área da saúde?
Durante o mestrado concorri a uma bolsa do INESC TEC na área de teoria dos jogos. Do mestrado surgiu a vontade de fazer uma contribuição na área de carácter mais geral e profundo. Assim, na minha tese de doutoramento desenvolvi ferramentas algorítmicas para “resolver jogos” combinatórios.

No doutoramento, o contacto com investigadores do INESC TEC que trabalhavam no desenvolvimento de métodos matemáticos para programas de doação renal cruzada, permitiu perceber que seria uma área onde o meu trabalho teria aplicação quando se passasse para a sua implementação a nível internacional. Assim, esta aplicação na área da saúde do meu trabalho constitui cerca de 25% do trabalho que desenvolvi.

Por Renata Silva publicado in http://noticias.up.pt/

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