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Manoel de Oliveira: 102 anos

Manoel de Oliveira: 102 anos

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AOS 102 anos, o cineasta português não para de produzir. Está envolvido na produção de três filmes, um deles reunindo três contos de Machado de Assis São 52 filmes em 80 anos, o primeiro rodado aos 23 anos, mais 14 até começar a ter sucesso e, oito filmes depois, aos 82 anos, Manoel de Oliveira dirigia um filme por ano. Ele não explica o fenômeno nem está preocupado com o assombro do mundo em torno de sua obra agora, aos 102 anos, com três filmes já articulados, um deles reunindo três contos de Machado de Assis.

Como você consegue produzir tanto aos 102 anos?
Manoel de Oliveira– Tenho a fertilidade das árvores que sabem que vão morrer. Não estou cansado, só me canso quando não trabalho.

Você não se preocupa com o público, moldado pela televisão e Hollywood?
Oliveira – Não gosto da palavra público. As cadeiras do teatro são públicas, as pessoas, não.

Formam a massa humana.
Oliveira – Mas a é massa anónima e cada um tem a sua personalidade.

Então você não pensa no que as pessoas querem ver?
Oliveira – Penso na vida, por que estamos aqui, nem em técnica, nem em nada.

Qual foi a sua escola?
Oliveira – Os primórdios do cinema. Não fiz escola. A única ciência que tenho está na memória.

Kurosawa fez seu último filme Madadayo em 1993 como despedida, um professor que se despede dos alunos. Você pensa que o último filme que fez pode ser uma despedida?
Oliveira – Nunca penso no que fiz, só no que vou fazer, agora mesmo estou pensando no próximo filme, a vida só acontece quando você não pensa nela.

Você nunca pensa na morte?
Oliveira – Penso que a minha longevidade é um capricho da natureza, pode ser para o bem ou para o mal, ainda não sei bem.

Por Norma Couri, do Porto publicado in http://revistaepoca.globo.com/

Ilustração de Santiagu

1 COMENTÁRIO

  1. Acabo de ver o filme O Caso Estranho de Angelica de Manoel de Oliveira no teatro Royal aqui em Toronto, inserido no European Union Film Festival, a 5 minutos da minha casa.

    Como e bom ver um filme do nosso mui nobre e grande Manoel de Oliveira aqui em Toronto, e ver como ele tem levado Portugal a todo o mundo.

    Um grande abraco sempre muito admirado e sempre muito querido, o meu director cinematografico preferido.

    Maria Levine
    Toronto

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