864
0
COMPARTILHAR
Inicio Do Porto Luís Miguel R...

Luís Miguel Rocha

Luís Miguel Rocha

0
864

O ÚNICO autor português que conseguiu ter um livro na lista dos mais vendidos do New York Times ganhou o hábito de escrever os seus best sellers com os polegares no teclado de um Nokia E 70, durante os longos passeios que dá pelo Parque da Cidade do Porto e pelas marginais fluvial e marítima de Gaia. “Escrevo em qualquer lado. Preciso de andar para pensar. Não consigo estar muito tempo parado em casa sentado à frente do computador”, conta Luis Miguel Rocha, 34 anos, o autor de “The Last Pope”, thriller sobre o curto pontificado e a misteriosa morte do papa João Paulo I, que vendeu meio milhão de exemplares.

Luis cresceu em Viana do Castelo onde teve o seu primeiro emprego como recepcionista de um hotel, que acabou no dia em que o patrão foi mal educado com ele. “Não levo desaforos para casa”, explica a propósito de lhe ter respondido à letra.

Despediu-se e foi para o Porto, onde se instalou no apartamento na zona do  Hospital de S. João onde ainda vive, apesar de ter acabado se assinar em Nova Iorque  um contrato milionário com a Putnam, para a entrega de três livros novos thrillers religiosos, à razão de um por ano.

Monárquico, portista e vagamente católico (“Não compro o produto que eles vendem. A religião não me diz nada, mas às vez dou por mim a usar o nós quando falo dos católicos”, precisa), começou por ganhar a vida como cameraman da produtora que filmava as missas para a TVI, antes da primeira incursão no mundo da escrita, redigindo guiões e fazendo traduções.

Sempre teve uma queda para as letras. “Sabia que as minhas palavras tinham efeito”, confessa Luís, que por brincadeira, costuma dizer que escreve bem demais (“Não sei escrever mal”). “Não sou eu que mando nas personagens, são elas que mandam em mim”, garante, acrescentando interrompeu, durante uma semana, a escrita do seu segundo “best seller” (“The Holy Bullet”, que em Julho vai ser editado em paperback nos EUA e em Inglaterra) por ter ficado chocado com a morte de uma das suas personagens favoritas.

Luís escolheu almoçarmos no café da livraria Almedina do Arrábida Shopping, que. além de uma esplanada com uma vista soberba do Porto. tem 20 salas de cinema que ele frequenta regularmente. Acompanhou a refeição com água, porque quer perder peso e retomar a forma da fotografia da contra capa da edição hardcover de “The Holly Bullet”, tirada num estúdio em Nova Iorque, numa sessão que durou quatro horas e meia.

O momento de viragem deu-se quando um seu conhecido, que refere como “a fonte”, lhe deu acesso a material (incluindo uma cópia dos diários do papa)  que acusava a loja maçónica P2 de ter responsabilidade no assassinato de João Paulo I, que planeava substituir membros da Cúria Romana envolvidos em lavagem de dinheiro.

Tinha 29 anos, quando, em Abril de 2005 contratou uma agente catalã, que com base nas primeiras 30 páginas do livro, vendeu na feira de Frankfurt os direitos de publicação para Espanha e Itália. A partir daí foi sempre subir e “The Last Pope” (onde a irmã Lúcia adverte João Paulo I que o terceiro segredo de Fátima é que ele vai ser assassinado) está editado em mais de 70 países – e em quase todos eles vendeu mais do que em Portugal, facto que ele aceita com um encolher de ombros.

“Um dia estava a tomar café na Piazza Navona com uma jornalista da Rádio Vaticano quando um alto dignatário da igreja apareceu e sentou-se na nossa mesa. Quando lhe perguntei o que diziam sobre “The Last Pope” ele respondeu: “É um livro que toda a gente lê, mas ninguém lê. A ordem é silêncio total porque tudo quanto escreveste nele é verdade”.

Luís tem duas jornalistas italianas a fazerem pesquisa para ele. Obrigou-se a ser muito rigoroso, pois os leitores americanos de thrillers verificam os factos, se possível até mesmo no local. Todos os padres, bispos e cardeais que aparecem nos livros existem na realidade.

No 4º livro desta saga (o 3ª é lançado a 5 de Agosto nos EUA), que ele começa a escrever para a semana, o enredo baseia-se no facto, que ele garante estar comprovado por ADN, de uma dos grandes papas do século XX ter tido uma filha.

Jorge Fiel, Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

Menu

Cafetaria Almedina
Arrábida Shopping, Vila Nova de Gaia
2 Creme de legumes
2 Polvo assados
1 Água
1 Sumo de abacaxi
2 Cafés
Total … 12,00

27 de Fevereiro de 2010

Publicado in http://bussola.blogs.sapo.pt/

§

O escritor Luís Miguel Rocha vendeu cerca de um milhão de livros em todo o Mundo, mas continua praticamente desconhecido em Portugal. Porém, a carreira internacional tem sido compensadora e em 2011 irá aos EUA, ao “Daily Show”, de Jon Stewart, falar do novo romance.

A nova obra de Luís Miguel Rocha, autor dos “best-sellers” internacionais “O último Papa” e “Bala santa”, chama-se “The Pope’s assassin” (O assassino do papa”), tem lançamento previsto para Novembro em Itália e na Roménia e chegará no início do próximo ano aos Estados Unidos da América. É por essa altura que o autor portuense será entrevistado no emblemático “talk show”  da televisão norte-americana. “A editora está a fazer tudo para que tal aconteça”, adianta, ao JN.

Luís Miguel Rocha acabou o mais recente romance em Fevereiro passado. “É a história de Jesus, na perspectiva histórica e não religiosa. Baseio-me num manuscrito antigo, de um particular que me facultou o acesso ”.

“The Pope’s assassin” é o primeiro de uma série de três sobre o Vaticano que lhe foi encomendada pela sua editora norte-americana, Penguin Group. “Sou um escritor profissional. Não escrevo por inspiração. Faço-o quando tenho de o fazer. Gosto de escrever sobre a pressão de ter que cumprir prazos de entrega”, afirma.

O ano asiático

O autor descreve o ano corrente como sendo o seu ano da Ásia. Os dois “best-sellers” do jornal “The New York Times”, “O último Papa” e “Bala santa”, acabam de ser publicados no Japão, na China e, nos próximos meses, sairão na Indonésia e na Tailândia.

“O sucesso que tenho devo-o aos leitores. E eles, para mim, são sagrados. Pensar que alguém despendeu de uma parte do seu salário para comprar um livro meu, para mim, é algo extraordinário. Merece todo o meu respeito. Dai que faça questão de responder personalizadamente a todos os emails que recebo”, diz.

Quanto à desconfiança que em Portugal se verifica relativamente ao seu trabalho, Luís Miguel Rocha não lhe atribui  grande importância. “Não posso queixar-me.  ‘O último Papa’ vendeu 50 mil exemplares. Não me parece mal para a obra de um autor desconhecido”. Claro que, para isto, também ajudou a intensa campanha mediática na Feira de Frankfurt, na Alemanha, em 2005, que precedeu o lançamento da obra. Mesmo antes de concluído o romance – só seria lançado um ano depois -, já havia sido adquirido por mais de uma dezena de editoras estrangeiras.

Depois do lançamento de dois dos seus romances, o escritor optou por criar, em 2008,  a sua própria editora,  a Mill Books. Mas o projecto não vingou .?Os portugueses actuais não gostam de experimentar e de ler coisas novas. Gostam do que já conhecem. Ir à descoberta era em 1500, agora, não resulta?, justifica.

Por isso, diz não saber se o seu mais recente romance terá uma edição portuguesa. “Nada foi acertado ainda, mas, se for lançado cá, não se chamará “O assassino do papa” (a tradução literal do título em Inglês), mas, sim, “Mentira sagrada”.

Depois de cumprido o contrato de escrever mais dois livros até 2013, Luís Miguel Rocha deseja escrever outros géneros que não “thriller”. Mas, para já, tem entre mãos um novo projecto, também baseado em factos verídicos, sobre a filha e a neta de um Papa do século XX que o escritor garante que ainda estão vivas. “Ainda estou a estudar como a vou escrever de forma a não interferir na vida destas pessoas. Sim, porque também me debato com estes problemas de consciência”.

Por  Ana Vitória publicado in http://jn.sapo.pt/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here