Quando tinha sete ou oito anos
costumava ajudar as empregadas da Fábrica Paupério
a carregar caixas de cartão espalmadas
desde a Rua do Moinho do Ouro
até ao interior do armazém
Como recompensa davam-me um saco de raleiro
Depois sentava-me no banco do jardim
e metia a mão no saco à procura
dos pedaços de chocolate
Ainda hoje acredito
que as empregadas partiam
os biscoitos de chocolate
a pensar em mim
PML
SENTENÇA LEBRE
O que mais arrelia os Paupérios de Valongo é andarem a fazer propaganda aos biscoitos sem terem lucro nenhum.



















