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Cristina Leal, 37 anos

Cristina Leal, 37 anos

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CRISTINA Leal tem 37 anos e desde muito cedo mostrou querer ser independente. Com apenas onze anos quis abandonar a escola para começar a trabalhar. “Fiz o sexto ano. Com onze anos quis sair da escola. Não gostava da escola. Queria ganhar dinheiro. Tinha uma prima minha que trabalhava, na altura, numa confeção e ganhava bem. Ela era chefe. E aquilo aliciava-me. Ser chefe, ganhar dinheiro”, confessa-nos Cristina Leal. Esta vontade de trabalhar contrariava o desejo que a sua mãe tinha em que ela estudasse. Dona de uma cultura invejável e uma leitora assídua, a mãe de Cristina “dava muito valor aos estudos”. Mas foi com catorze anos que a empresária entrou no mercado de trabalho, porque a mãe não a deixara anteriormente. “Fui trabalhar para uma confeção e fiquei lá quinze anos”, afirma Cristina, acrescentando que “trabalhava no corte e ganhava muito bem nessa altura”.

“Eu não gostava de flores, mas aventurei-me”

Sempre com espírito empreendedor e proactivo, Cristina Leal mudou de ramo. “Mais tarde tive a oportunidade de ir trabalhar para uma fábrica de cabelagens automóveis”. Nessa fábrica teve a oportunidade de escolher a sua função. Entre as várias, Cristina Leal decidiu ser supervisora. “Como gosto de mandar quis ser supervisora e nunca tive uma reclamação”, conta-nos orgulhosa. Apesar de gostar do trabalho, a fábrica acabou por fechar e Cristina Leal rumou para outro desafio: trabalhar num hospital. “O meu sonho era trabalhar numas urgências. Adorava a adrenalina”. Passado dois anos, Cristina abandonou o hospital por questões pessoais e, mais tarde, o seu marido incentivou-a a tirar o curso de florista. “Eu não gostava de flores, mas aventurei-me e tirei o curso”, abrindo uma primeira loja, que não se revelou tão proveitosa quanto esperava.

“Não exploro ninguém”

Depois foi trabalhar para o bazar e florista “Chá com Arroz”, em Vilela, junto à Escola Secundária. O lema de Cristina é “arriscar para vencer”. Confessa-se apaixonada pelo dinheiro, arriscando tudo: quis ser proprietária do “Chá com Arroz” e o seu objetivo concretizou-se em maio deste ano. “Além das flores vendo um bocadinho de tudo. Desde produtos de higiene, brinquedos, decoração, roupas interiores”. E é esta variedade a imagem de marca da sua loja. O facto da loja se encontrar perto de uma escola faz do seu negócio uma mais-valia. “Os adolescentes vêm aqui comprar rosas para oferecer à primeira namorada, as meninas também compram uns brincos ou um colar” e “enquanto os filhos não saem das aulas, os pais também vêm cá comprar algum produto”. A empresária afirma que uma das estratégias para manter o negócio é “pagar tudo no ato”, porque tem consciência de que não se quer “endividar”.

“Fico vaidosa quando elogiam o meu trabalho”

Cristina Leal confessa “não ligar muito à concorrência”, mas admite que a concorrência é “muito desleal”. “Se puderem vender mais barato dez cêntimos só para tirar um cliente, fazem isso”. “Não quero saber os preços que outros praticam. Eu faço os meus preços e ofereço qualidade. Não exploro ninguém”, afirma. Frontal e determinada, a florista diz que “quanto mais trabalho, melhor”, admitindo que a inspiração para os ramos vem da própria pessoa que o encomenda. “Eu olho para a pessoa e sei qual o tipo de ramo que ela prefere” e “os clientes confiam em mim”. “Fico vaidosa quando elogiam o meu trabalho”, admite a florista, que tem muitos clientes leais. Quanto ao futuro, Cristina Leal espera que tudo corra pelo melhor, sendo que “as perspetivas são boas”.

Publicado in O Progresso de Paredes

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