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Carlos Pimenta, 63 anos

Carlos Pimenta, 63 anos

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A PESSOA desta semana é um homem de paixões. Paixões que reparte pela escrita de Shakespeare, pelas ideias de Marx, pela música de Wagner, pelo cinema de Fellini, pelo sabor do cozido à portuguesa ou simplesmente pela pesca e filatelia, atividades a que dedica parte do pouco tempo livre que tem. A outra grande paixão, vive-la diariamente como professor da Faculdade de Economia da U.Porto (FEP), onde dirige o Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF), e coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Fraude da EGP-UPBS.

Uma medida para combater a fraude? “Passar de uma economia centrada no dinheiro para uma sociedade centrada no homem”, sonha. Também por isso, acaba de ser o primeiro português distinguido com o prestigiado prémio Outstanding Achievement in Outreach / Community Service, atribuído pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), a maior organização mundial de combate à fraude.

Mas nem só o combate à fraude inspira este licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (atual ISEG) que, no ano quente de 1974, trocou a capital, onde nasceu, pelo Porto. Não mais voltaria. Professor na FEP desde 1975 (catedrático desde 1997), Carlos Pimenta [http://www.fep.up.pt/docentes/cpimenta/] é autor de uma vasta obra científica nas áreas de Economia Portuguesa e Economia Africana, sendo membro fundador do Centro de Estudos Africanos da U.Porto). Foi ainda Pró-Reitor da Universidade do Porto para a Informatização Administrativa e para a Cooperação com África, entre 1988 e 1998.

– De que mais gosta na Universidade do Porto?

A liberdade de criação. A relação com os alunos. O trabalho de investigação. Contribuir, se isso acontece efetivamente, para uma sociedade mais culta e próxima dos valores da verdade científica e filosófica. O enraizamento da universidade no progresso de Portugal.

– De que menos gosta na Universidade do Porto?

O enublamento desse enraizamento nacional pela competitividade internacional. A burocracia, e ainda a burocracia. A morosidade em várias decisões. Aguardar há anos por um parecer para edição de um livro coletivo sobre o combate à fraude, exatamente, sobre a fraude.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Reduzir a burocracia. Descentralizar as decisões, centralizar a coordenação. Ter ainda mais em atenção a diversidade de maneiras de ser e estar de todos quantos nela trabalham.

– Como prefere passar os tempos livres?

Junto da família, lendo e escrevendo.

Raramente tenho tempo para os meus dois grandes entretenimentos nascidos na juventude: a pesca e a filatelia. Uma boa peça de teatro, um bom filme ou um bom concerto ou conferência também são bem-vindos.

– Um livro preferido?

Praticamente impossível de responder a essa pergunta. Não há um, há muitos. Falemos antes em autores. Em teatro, Shakespeare e Brecht. Em poesia, Eugénio de Andrade. Em romance, Eça de Queirós e Pepetela. Em economia, Karl Marx. Em filosofia, Bachelard. Em política… a honestidade.

Depois desta listagem uma obra lida na juventude que me marcou profundamente: NIKOS KAZANTZAKI, 1963. Liberdade ou Morte. Fica este como o livro preferido.

– Um disco/artista preferido?

Apaixonado pela música, sou um inculto musical. Oscilo entre Chopin e Wagner.

– Um prato preferido?

Um prato comido numa reunião de família. Se for um cozido à portuguesa ou uma sapateira, tanto melhor.

– Um filme preferido?

Não sei porquê, mas o filme que mais retenho na memória é O Navio (E la nave va) de Federico Fellini.

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

 

O sonho reside sempre no futuro. O velho sonho de visitar a Islândia, agora renascido pelo seu exemplo de defender a democracia e liquidar o capitalismo financeiro parasitário.

– Um objetivo de vida?

Ser útil à sociedade em que vivo. Retribuir o que me foi oferecido pela humanidade quando do meu nascimento. Contribuir com as melhores ideias que me for possível doar. Agir para que as ideias se materializem.

– Uma inspiração? (pessoa, livro, situação…)

Já vivi muitas e espero viver outras mais. Falemos deste momento. Haver uma política assente em políticos honestos e cultos, que comunguem das preocupações dos portugueses, sem “lágrimas de crocodilo”. Uma política que, na grande diversidade do ser e estar dos portugueses, tenha como princípios básicos a ética e o respeito pelos outros. Uma política que não ande ao serviço das minorias, com políticos transformados em alunos subservientes dos donos do mundo.

– Uma medida para combater situações de fraude em Portugal?

A fraude – todo o ato intencional de pessoas, individuais ou coletivas, perpetrado com logro que provoca, efetiva ou potencialmente, vantagens para uns ou danos para outros e que violam as boas práticas sociais ou a lei -, a economia não registada, o branqueamento de capitais, a descoesão social e a degenerescência das relações éticas formam um pacote único, de dimensão universal e nacional. Não basta uma medida, mas muitas. Como a medida mais radical estava fora do nosso alcance imediato – passar de uma economia centrada no dinheiro para uma sociedade centrada no homem – fez-se o que era possível: criou-se o Observatório de Economia e Gestão de Fraude (http://www.gestaodefraude.eu).

Publicado in http://noticias.up.pt/

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Carlos Pimenta distinguido no combate à fraude

Carlos Gomes Pimenta, professor Catedrático da Faculdade de Economia da U.Porto (FEP) e Diretor do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF), acaba de ser distinguido com o prémio Outstanding Achievement in Outreach / Community Service, atribuído pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), a maior organização mundial de combate à fraude.

Através deste galardão, a ACFE pretende premiar o trabalho levado a cabo por Carlos Pimenta e pelo OBEGEF no estudo e combate à fraude, realçando a sua “contribuição notável em prol da comunidade”. Esta é, de resto, a primeira vez que este prémio, com grande notoriedade a nível internacional, é entregue a um português.

A ACFE é a principal associação internacional de especialistas em combate e prevenção da fraude e tem como missão “reduzir a incidência de fraudes e crimes de colarinho branco” em todo o mundo. “Com sede em Austin, EUA, este organismo conta com secções em diversos países do mundo e mais de 60 mil membros.

Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (atual ISEG), Carlos Pimenta é professor da FEP desde 1975 (catedrático desde 1997) e coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Fraude da EGP-UPBS. Autor de uma vasta obra científica nas áreas de Economia Portuguesa e Economia Africana (é membro fundador do Centro de Estudos Africanos da U.Porto), foi Pró-Reitor da Universidade do Porto para a Informatização Administrativa e para a Cooperação com África, entre 1988 e 1998.

Os ACFE Outstanding Achievement Awards serão entregues durante 23rd Annual Fraud Conference & Exhibition da ACFE, a decorrer em Orlando, na Flórida (EUA), de 17 a 22 de junho de 2012.

Publicado in http://noticias.up.pt/

 

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