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Ana Lídia Dias, 18 anos

Ana Lídia Dias, 18 anos

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ESTA “caloira” da Faculdade de Medicina da U.Porto venceu o concurso de discursos do centenário da República e foi a primeira cidadã “não-política” a discursar nas cerimónias do 5 de outubro. A “culpa” foi do professor Paulo Melo, que conhecia da biblioteca da Escola Secundária da Maia. “Ele lançou-me o repto, eu aceitei o desafio e venci. A culpa deste episódio muito feliz na minha vida, é toda dele”.

Enquanto estava com a família, numa esplanada da Rua do Arsenal, estava tranquila, mas assim que se aproximou da Praça do Município começou a sentir “um nervoso miudinho e uma ansiedade difícil de controlar”. Quando o Presidente da República chegou, o seu “estado” agravou-se, mas depois das saudações do Presidente da Câmara de Lisboa voltou a descontrair. Assim que se dirigiu ao púlpito fez “das tripas coração” e levou o discurso até ao fim. Falou sobre “os ideais republicanos de Liberdade, Democracia, a soberania do povo, a ética, a honra, a instrução gratuita e obrigatória para todos, e o primado da cidadania”. Lançou também um “apelo veemente à adesão dos jovens aos mais nobres ideais da República e à valorização da instrução/educação como principal fator de inclusão”.

Até ao 9º ano, sonhou ser Arqueóloga, Médica Legista, e até cineasta, mas foi no 10º ano, que clarificou as ideias. Quando terminou o 11º ano teve “a felicidade de viver uma experiência missionária com os Combonianos, num lar com hospital de retaguarda, onde havia idosos com doenças crónicas graves e alguns terminais”. Foi aí que percebeu como “se sentia bem a servir o próximo”. Foi nessa altura que a confirmou a sua vocação: Ser médica.

Porquê a opção de estudar na Universidade do Porto?

Em primeiro lugar porque moro na Maia e estou muito perto do Porto, fato que, nos tempos que correm, tem uma importância enorme. No entanto, o fator prestígio e qualidade da academia do Porto, nas suas diversas faculdades, tem um significado muito relevante para mim e para os meus pais.

Quais são as expetativas?

São expetativas muito altas em todos os aspetos. Sei que vou ter de trabalhar arduamente, mas foi afinal o que aconteceu ao longo de todo o meu percurso escolar. De resto, para mim, quanto mais difíceis são as coisas, mais estimulantes se tornam e mais sabor tem obter os resultados com que for retribuída.

Também estou muito entusiasmada com a qualidade e exigência dos docentes cuja experiência acumulada, garante à partida uma formação de qualidade.

Enfim, espero poder realizar o meu sonho de vir a ser Médica e de poder ajudar as pessoas, numa acção profissional quotidiana e muito concreta, acho que me vou realizar humana e profissionalmente.

Uma ideia para melhorar o ensino em Portugal?

Estabelecer um sistema de avaliação de alunos, professores, funcionários, diretores e gestores de escolas, justo, rigoroso, eficaz e eficiente, que eleja como objetivo crucial, a qualidade do ensino, por forma a reconhecer e retribuir o mérito e estimular toda a comunidade educativa nacional, para o trabalho nas escolas, como sinal claro de que a facilidade, o laxismo, a indisciplina e a falta de empenho, não só não garantem futuro a ninguém, como são um enorme empurrão para a exclusão social e empobrecimento.

Como prefere passar os tempos livres?

Embora o meu conceito de tempos livres seja de certa forma invulgar, a verdade é que o meu tempo, supostamente, livre é preenchido com atividades que me são particularmente caras, como por exemplo, dar catequese, praticar algum voluntariado, cantar, estar em família, ler, ouvir Música, essencialmente clássica e conviver com os meus amigos. Note-se que a ordem destas atividades é arbitrária.

Um livro preferido?

De repente parecia-me difícil eleger um, mas após uns segundos de reflexão, não tenho dúvidas, “O Principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry. Foi um livro que me moldou a minha forma de ver o Mundo, olhar a realidade e os outros, num momento inigualável do meu crescimento, a adolescência.

Um disco preferido?

Ora, essa é uma questão difícil para uma amante de música. Um dos álbuns que mais gosto de ouvir é o “Night at the Opera” dos Queen, simplesmente extraordinário. Mas, de facto, a minha playlist é muito eclética: vai desde Supertramp a Stravinsky, passando por Ray Charles, Rui Veloso, Vinícius de Moraes e muitos outros.

Um prato preferido?

Bem, a minha mãe, que é uma transmontana dos quatro costados, faz um empadão de alheira de Mirandela que é de se lhe tirar o chapéu. E olhem que não é só porque a alheira de Mirandela é uma das maravilhas gastronómicas de Portugal.

Um filme preferido?

Entre “Cinema paradiso” e “Les choeristes”, talvez me decida pelo segundo…

A viagem de sonho?

A viagem a Paris, com os Pequenos Cantores da Maia, a convite da Disney Land Paris, para cantar no Festival Disney Music Days, comemorativo do 15º aniversário da Eurodisney, foi de facto um momento único, porque para além de ter tido a oportunidade de cantar num palco fabuloso, por onde passaram artistas de todo o Mundo, num cartaz memorável, foi-nos proporcionada uma visita especial, super animada e muito divertida, diria até histórica…

Mas acho que a verdadeira viagem de sonho, ainda está para acontecer, quiçá, no fim do meu curso.

Publicado in http://noticias.up.pt/

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