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Agostinho Moreira decora palácio do presidente de Angola

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A ARTE de mudar | Agostinho Moreira, presidente da Jetclass, quer diversificar e aumentar o número de mercados.

O Palácio Protocolar de Angola tem desde este mês móveis “high tech” feitos em Valongo. O pedido chegou à Jetclass por intermédio de um decorador indiano, radicado no país africano, e inclui uma secretária (com soluções de domótica), um minibar e um aparador. A encomenda não deslumbra pelo valor, de 15 mil euros, mas é simbólica do que o presidente da empresa, Agostinho Moreira, quer para o futuro da sua unidade: apostar nos clientes de gama alta e diversificar os mercados.

A história da Jetclass mimetiza algumas das mutações da própria economia nacional, nas últimas décadas. Há 15 anos, quando a empresa ainda se chamava Norte Pinhos, foi a retracção do mercado português que obrigou a saltar fronteiras. A quebra das margens de lucro aceleraram a tendência.

“Os nossos concorrentes começaram a oferecer o mesmo produto por preços mais baixos. Pediam-nos que fizéssemos mais barato, porque lhes ofereciam mais barato. À primeira tivemos de aceitar, mas depois começámos a ver que não compensava”, enfatiza Agostinho Moreira.

Contas feitas, a subcontratação por outras empresas retirava mais-valias. Solução? Criar uma marca própria, porque “percebemos que o que vendia era a marca própria, e podíamos ter muita qualidade, mas quem iria lucrar era quem punha a marca nos nossos móveis”, lembra Moreira.

Assim nasce a Jetclass, um nome internacional que se pronuncia em todos os pontos do globo. No ano passado, facturou 2,2 milhões de euros, 80% dos quais resultantes das exportações para 26 países. As primeiras apostas internacionais foram Espanha e Inglaterra. Tudo corria de feição, até que a crise das dívidas públicas veio alertar para que os mercados europeus já não eram destinos seguros. “O mercado espanhol que, no ano passado, valia 20%, este ano caiu abruptamente. No primeiro trimestre, não vendemos quase nada em Espanha”, quantifica o líder da Jetclass, que conta com 50 trabalhadores.

Foi preciso uma nova mudança de agulha nos mercados. As próximas paragens acompanham os fluxos de dinheiro. “Queremos diversificar, cada vez mais, o número de países em que estamos presentes e encetámos negociações com a China, com a Índia e com o Brasil”, avança o empresário, que se mostra confiante em conquistar nichos de mercado de luxo nestes países.

Para já, a Jetclass tem reforçado posições em Angola, Holanda e Rússia. Este último, segundo Agostinho Moreira, é o país mais difícil: “Para o material passar na alfândega, tivemos de pagar 15 mil euros, que é mais do que o valor do transporte”, crítica.

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A banca não aposta e temos de usar uma série de engenharias financeiras”

Qual é a principal dificuldade que, actualmente, enfrentam para crescer nas exportações?

O problema está na parte financeira e na banca. Podemos dizer que temos um projecto de divulgação da marca, no qual ainda assim a banca não aposta, porque a única coisa para que olham é os saldos médios. Temos de estar por nossa conta e risco e usar uma série de engenharias financeiras.

Mesmo para uma empresa que exporta a maior parte da sua produção, essa é uma questão premente?

Toda a gente diz que é na exportação que está a saída para a crise, mas ninguém toma uma atitude. Ninguém quer saber quais são as empresas que exportam, para que países o fazem, e o que é preciso fazer para que possam exportar mais e para outros mercados.

Tem faltado planeamento….

Podíamos estar muito mais à frente se tivéssemos alguém por trás a impulsionar-nos financeiramente. Não temos, e marcamos passo a tentar sobreviver. As verbas de apoio são distribuídas por todas as associações, que querem é o dinheiro para esticar os “staffs”. Pensámos que a criação do “cluster” do mobiliário ia mudar a situação, mas isso não aconteceu.

Tem sido complicado encontrar parceiros nos mercados externos?

Já tentámos de tudo, desde revendedores a agentes, até representantes da marca. Em Espanha, já tivemos agentes que não nos pagaram. Até ao momento, estas soluções acabam sempre por não funcionar, porque os clientes não querem um agente no meio a partir do momento em que nos conhecem numa feira. Por isso, optámos por gerir directamente com o clientes.

11 de Outubro de 2011

Por João Carlos Malta publicado in http://www.jornaldenegocios.pt/

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