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Sete perguntas a Manuel Amaro Mendonça

Sete perguntas a Manuel Amaro Mendonça

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MANUEL Amaro Mendonça é natural de São Mamede Infesta, vivendo atualmente na freguesia vizinha de Custoias, em Matosinhos. Na escola percebeu o prazer que sentia ao transformar simples redações em histórias elaboradas que entusiasmavam os professores. Chegado à idade adulta manteve o gosto pela leitura de ficção, com especial predileção pela vertente histórica. Quando nasceu o filho contava-lhe os livros que lia ou inventava as aventuras para o adormecer, enquanto sonhava com o dia em que escreveria o seu próprio livro. E o dia chegou. Agora que começou, não quer parar mais…

Por Paulo Moreira Lopes

1 – Data de nascimento e naturalidade (freguesia e concelho)?

19 de Janeiro de 1965. São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos

2 – Atual residência (freguesia e concelho)?

Custoias, concelho de Matosinhos.

3 – Escolas/Universidade que frequentou no distrito do Porto?

Em São Mamede de Infesta:
Escola primária da Igreja Velha
Escola primária Godinho de Faria (atual Secundária Abel Salazar)
Escola preparatória de São Mamede de Infesta (Mainça) (demolida em 1985)

Em Matosinhos:
Escola Secundária nº 2 de Matosinhos (atual Secundária Augusto Gomes)

Em Gaia:
Instituto Superior de Línguas e Administração (ISLA)

4 – Habilitações literárias?

Licenciatura em Engenharia de Sistemas Multimédia.

5 – Atividade profissional?

Técnico de sistemas informáticos, com especialização na área de administração de servidores Windows.

6 – Em que medida o local onde viveu ou vive influenciou ou influencia o seu trabalho por referência a fenómenos geográficos (paisagem, rios, montanha, cidade), culturais (linguagem, sotaque, festividades, religião, história) e económicos (meio rural, industrial ou serviços)?

Sem dúvida que o facto de nascer numa terra de opção, para vários escritores ou artistas potenciou a minha vontade de ler e escrever.

Para citar alguns: Abílio Campos Monteiro, escritor, jornalista, médico e político, que embora tenha nascido em Torre de Moncorvo, casou com uma mamedense e habitou nesta terra até ao fim da sua vida.

Abel Salazar, médico, professor, investigador e pintor, nascido em Guimarães, mas viveu muito tempo em São Mamede, numa casa que hoje o homenageia.

Urbano Loureiro, foi um farmacêutico, jornalista, cronista, escritor, dramaturgo e poeta.

Elaine Sanceau, historiadora inglesa radicada em Portugal, que residiu em Leça do Balio.

A saudosa doutora Maria Manuela Moreira de Sá, professora e historiadora, de quem tive a honra de ser aluno na extinta escola preparatória da Mainça e a quem atribuo uma boa parte de responsabilidade do meu amor pela história e pelas letras.

Finalmente, o meu próprio pai, também ele admirador da história e possuidor de uma pequena biblioteca com umas boas centenas de volumes, fez-me crescer rodeado de livros, encarando com naturalidade a sua consulta e transmitindo-me o prazer pelo conhecimento que ainda hoje o caracteriza.

De resto, crescer numa terra onde se tropeça na história a cada canto, é um privilégio que não pode senão inspirar-nos. Desde o vizinho Mosteiro de Leça do Balio, antiga sede dos monges hospitalários, passando pela casa onde estiveram aboletados um grupo de franceses durante a invasão de 1809 e pela ponte romana da via que ligava a Bracara Augusta e ao pé da qual existiu uma estalagem frequentada por Camilo Castelo Branco e outros personagens famosos.

Devido ser, durante o século XIX, intitulada “A Sintra do Norte” era local de eleição para a construção de grandes solares e quintas onde grandes e abastadas famílias tinham a sua residência ou casa de férias.

O bucolismo em extinção do São Mamede de Infesta da minha infância, a apenas uns escassos quilómetros da cidade do Porto, criou-me um amor pela cidade, aberta, imponente e uma saudade sem fim pela aldeia, onde as pessoas eram mais próximas e familiares.

Mas de resto, como é possível não amar também esta cidade do Porto de gente granítica e ensimesmada, mas ao mesmo tempo calorosa e ansiosa por que os venham conhecer e perguntar sobre eles? Como é possível não sentir o respirar da história em cada beco escuso ou avenida rasgada, em habitação humilde ou orgulhoso palacete? Cidade trágica, vítima de Napoleões e guerras de irmãos, mas guardiã do coração de um rei!

Será que se consegue circular nas ruas medievas, de casas tristes e debruçadas sobre a calçada, sem ouvir os sussurros de Camilo, Brandão, Garrett ou Andrade? Como é possível não amar aquele largo Douro, varanda de Cale e Vila Nova, cemitério das vítimas das barcas e braço fraterno que enleva as duas cidades?

O bucolismo, encontrá-lo-ia anos mais tarde, após casar com uma transmontana, nas terras sem fim para lá do Marão. A seguir à mulher, amei a região, até ali desconhecida. Apaixonei-me pelas vinhas muralhadas nas encostas do Douro e do Tua, pelas oliveiras orgulhosas cravadas nas fragas sobre escarpas temíveis, pelos nevoeiros “sebastiânicos” que irrompem da terra ocultando e aconchegando os montes, pelas pessoas que, tendo o coração perto da boca, têem-no enorme e acolhedor. Talvez por isso goste bastante de escrever histórias fictícias passadas em trás os montes, num tempo que, sendo complicado e violento, era mais bucólico e livre da opressão dos grandes edifícios amontoados uns sobre os outros.

7 – Endereço na web/blogosfera para o podermos seguir?

http://manuelamaro.wixsite.com/autor
Facebook 

Literatura postal

8 – Tem a mania dos postais? Em caso afirmativo como explica essa apetência por uma literatura tão sucinta e tão efémera?

Enfim, a mania dos postais, sim, em tempos um dos meus passatempos era o de “ajuntador” de postais e ainda hoje conservo várias pastas onde preservo umas centenas de exemplares de vários pontos do país e do estrangeiro. Daí a falarmos em literatura, vai uma grande distância, porque nunca me interessei verdadeiramente em envia-los a alguém, escritos ou não. Adorava colecionar, ordenar e rever aqueles pedacinhos do nosso país, dados a conhecer por excelentes fotógrafos e que desejava um dia poder ver pessoalmente. Tão grande esse desejo que acho que posso dizer que já os visitei praticamente todos.

9 – Sente mais prazer em comprar, escrever e enviar o postal, em saber que foi recebido por outro ou em receber postais de outros?

Como referi anteriormente, não tive nunca o interesse particular em enviar nem receber postais escritos. O meu desejo ia mais no sentido de os colecionar.

10 – Tendo em conta a popularidade da correspondência postal, será que podemos falar de uma literatura postal, quem sabe como uma derivação dos contos ou microcontos?

No meu entender, os postais foram um repositório de saudades em poucas linhas. Num pequeno espaço, à vista de todos, procurava-se dizer que sentimos falta de uma outra pessoa. São pedaços de sentimentos e a ponta do iceberg de “Grandes Esperanças” ou de um “Amor de Perdição”.

[1] NOTA: a pergunta pressupõe a defesa da teoria do Possibilismo (Geografia Regional ou Determinismo mitigado) de Vidal de La Blache, depois seguida em Portugal por Orlando Ribeiro, de que o meio influência (quem sabe se em alguns casos determina?) as opções profissionais e artísticas dos naturais desse lugar.

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