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Sete perguntas a Isabel de Sá

Sete perguntas a Isabel de Sá

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ISABEL de Sá tem uma biografia evidentemente excepcional. Nasceu em Esmoriz, Ovar, foi à escola da vila, mas para continuar o caminho da instrução, teve de se mudar para o Porto onde se licenciou na FBAUP. Depois de aqui residir alguns anos, acabou por regressar às origens, quem sabe se para relembrar a infância passada em plena natureza. E porque sem beleza não aguenta estar viva, a artista vem procurando aquele alimento através da pintura e da poesia, criando, inevitavelmente, um mundo imaginário onde pode desfrutar do Belo e, desse modo, sobreviver.

Por Paulo Moreira Lopes

1 – Data de nascimento e naturalidade (freguesia e concelho)?

8 de Setembro de 1951, Esmoriz, Concelho de Ovar.

2 – Atual residência (freguesia e concelho)?

Esmoriz, Concelho de Ovar, Distrito de Aveiro.

3 – Escolas/Universidade que frequentou no distrito do Porto?

Desde a Escola Primária até à FBAUP.

4 – Habilitações literárias?

Licenciatura em Artes Plásticas/Pintura pela FBAUP.

5 – Atividade profissional?

Professora do Ensino Secundário.

6 – Em que medida o local onde viveu ou vive influenciou ou influencia o seu trabalho por referência a fenómenos geográficos (paisagem, rios, montanha, cidade), culturais (linguagem, sotaque, festividades, religião, história) e económicos (meio rural, industrial ou serviços)?

O local onde nasci, a família, a paisagem e alguns acontecimentos tiveram importância, inevitavelmente, na minha formação. Para completar esta resposta deixo dois poemas:

§

A VERDADEIRA BIOGRAFIA: O NOME

Filha de um industrial
de quem herdou o apelido
e de Maria Felicidade
Francisca de Castro
casados em únicas núpcias de ambos
e sob o regime de comunhão geral
Maria Isabel Castro de Sá
é a quarta de oito filhos do casal
que festejou as bodas de ouro
com todos os filhos
noras
genros e netos.

Portanto
nascida e afirmada
na segunda metade do século passado
abrindo caminho num terreno minado
por todos os poderes
a autora
deixa estas palavras aos que esperam:
No meu trabalho não procuro nada
não tenho qualquer objectivo.
Entre o nascimento e a morte encontro tudo.
A ficção é extraordinária
e a realidade não surpreende.
Cada um vive a sua
e ninguém se livra desse nada.

§

A VERDADEIRA BIOGRAFIA: O PERCURSO

A minha biografia
é evidentemente excepcional.
Tive um pai uma mãe
nasci numa Casa
fui à Escola da vila
depois do concelho.
Mudei de distrito para continuar
e o caminho da instrução
concretizou-se na Faculdade de Belas Artes.

Da infância passada em plena Natureza
lembro a beleza das estações do ano
os rituais católicos
uma criada preferida
o instante em que aprendi a ler.
Chegou a adolescência e a certeza:
Quero ser professora de Desenho.
Suponho  que a Biblioteca
me salvou do desastre interior.
Tinha dezassete anos e requisitei
“Uma Época No Inferno”
de um rapazito
chamado Jean – Arthur Rimbaud.

Na Biblioteca
o empregado olha-me com reserva.
Eu estudava o quê?
Um dia livros de medicina
outro dia de poesia.
Então a ciência é poética?

A entrada na vida adulta
aliada à independência e ao amor.
O meu país sofreu uma revolução.
A democracia não honrou ainda a sua palavra.
Cumpro deveres
e não usufruo de direitos proporcionais.
Eu e alguns milhares
neste sentimental canto europeu
sob um regime semi-ditatorial
contribuo para a sopa e os vícios
de alguns milhares de parasitas.

Mudando de assunto
a pátria é grande e a família também.
Para mim
já passou o meio século. Já foi o Pai
a Mãe e o Irmão mais velho.
Estou por cá à espera
certamente.
Não é provável que me entregue.
Conheci o galinheiro do confessionário
ajoelhei-me diante do altar
da virgem. Apaixonei-me.

Também recebi um terço de prata
no dia da comunhão solene.
E na hora exacta
o óleo perfumado do crisma.

Sempre que vou a uma missa de corpo presente
lá está o mesmo altar
com a deslumbrante virgem. Entretenho-me
a recordar que já tive quinze anos
e também adorei.

Depois a Páscoa
a soturna via sacra
onde sofria pela minha dor
e as beatas exibiam lágrimas
como dádiva pelo calvário
a que Jesus foi sacrificado.

Jesus era belo na sua passividade:
Os longos cabelos
o olhar suplicante
as pernas
o tronco liso
o ventre. Por fim a entrega.
Braços abertos para o bem e para o mal.

Agora
neste dois mil e seis
trata-se de insistir.
Já é tarde para quase tudo.
Os meus contemporâneos
alimentam uma curiosidade fétida.
A obra é minha. Faço o que quero.
Escondo
rasgo
mostro
transformo
entrego ao crematório
deixo aos herdeiros
ao vaticano
não deixo.

Nunca esmolei. Não fui pobre.
Mas os sinais da exclusão
o ódio é tão luminoso
que seria patético
psicotisante até
não articular sequer estes versos
antes da eutanásia.

7 – Endereço na web/blogosfera para a podermos seguir?

http://isabeldesaescritora.blogspot.pt/
https://www.facebook.com/isabeldesapoetapintora?ref=hl
https://www.facebook.com/passarocos?ref=hl

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