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Sete perguntas a Antero de Alda (1961-2018)

Sete perguntas a Antero de Alda (1961-2018)

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NATURAL de Sever de Vouga, Antero vive agora nas margens do Tâmega. Nos entretantos, foi-se instalando no Porto, Lisboa e Braga. Longe da civilização, descobriu que a palavra “interior” rima quase sempre com dor. Por isso, através da fotografia ou da poesia cibernética vai-se libertando do peso da indignação. Que ninguém se engane: a sua arte, de tão concreta, às vezes torna-se corrosiva.

Por Paulo Moreira Lopes

1 – Data de nascimento e naturalidade (freguesia e concelho)?

23 de Outubro de 1961, Sever do Vouga, distrito de Aveiro.

2 – Atual residência (freguesia e concelho)?

S. Gonçalo, Amarante.

3 – Escolas/Universidade que frequentou no distrito do Porto?

Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto.

4 – Formação académica?

Licenciatura em Artes Plásticas (Pintura, pela Universidade do Porto) e mestrado em Tecnologias (Universidade do Minho, Braga).

5 – Atividade profissional?

Professor.

6 – Em que medida o local onde viveu ou vive influenciou ou influencia o seu trabalho artístico por referência a fenómenos geográficos (paisagem, rios, montanha, cidade), culturais (linguagem, sotaque, festividades, religião, história) e económicos (meio rural, industrial ou serviços)?

Enquanto estudante, a minha passagem pelo Porto influenciou-me por várias razões: ainda muito novo, fiz a minha primeira exposição na Escola de Belas-Artes com a presença do Mestre Júlio Resende e do poeta Melo e Castro, e voltei a expor, mais tarde, na sala grande da Cooperativa Árvore (uma instalação com 20.000 caixas de fósforos); publiquei o meu primeiro livro de poemas com a chancela da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, em 1986.

Passei depois pela Escola de Belas-Artes de Lisboa e prolonguei os meus contactos com a geração da poesia concreta dos anos (19)80: Melo e Castro, Ana Hatherly, Alberto Pimenta, António Aragão e outros. Hoje faço sobretudo poesia cibernética, aliás, bastante corrosiva (sinais dos tempos).

Quanto à fotografia, há quem diga que só fotografo velhinhas. Não é bem verdade, mas se o faço é talvez para mostrar a maldade de Deus, ou a fragilidade da condição humana:

«Cerrem os olhos:
deus não existe,
não há nenhuma compaixão por quem vive,
só aos mortais é dado o benefício
do amor.
[ da poesia, do amor e da morte ].»

Que ninguém se engane, pois as verdades são às vezes paradoxais. Fotografo muitas manifestações de fé e, voluntária ou involuntariamente, o que me inspira é talvez a generosidade divina, expressa pelo peso dos afectos. Porque o peso do mundo é o amor, como dizia Ginsberg: «o fardo da insatisfação, o peso, o peso que carregamos é o amor.»

Trabalho persistentemente para exprimir a minha indignação pelas miseráveis condições em que muita gente vive ainda hoje, especialmente no interior: a resignação do isolamento, as ausências de quase tudo, uma certa dor de fatalidade. Agora, sofro a dobrar porque também nas cidades se vive um mal civilizacional — ou a civilização como fonte de sofrimento, segundo Dejours (Freud sugeria também que a Humanidade inteira se tornou neurótica em função do seu esforço de civilização. Não haverá alguma verdade nisso?)

Escolhi viver em Amarante porque pressenti-lhe a inspiração do rio, do magnífico centro histórico composto pela igreja de S. Domingos, o mosteiro e a ponte velha de S. Gonçalo; e Pascoaes, Amadeo e Eduardo Teixeira Pinto (o fotógrafo).

7 – Endereço na blogosfera para o podermos seguir?

www.anterodealda.com

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