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Rui Rio (1957...

Rui Rio (1957)

Ilustração de Maria Mónica

CLARO que tudo tem um limite e chega uma dada altura em que as pessoas começam a perceber. Alguns têm arte para durante bastante tempo andarem a enganar, até deturpando o que os outros disseram que é verdade, transformando a verdade dos outros em mentira. Se alguém rouba é preso – nem sempre, mas enfim [risos]. Ou melhor, se roubar coisa pequena é preso; se roubar uma coisa muito grande já é diferente. Já tem um inquérito, já tem uma acusação ou não. Aí já é muito mais complicado. 

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INDEPENDENTEMENTE de ter a maior simpatia pelas senhoras, eu vejo um pouco difícil estarmos a dizer às empresas cotadas dizer que agora têm xis meses para meter não sei quantas senhoras para meter na administração porque isto é criar mais dificuldades a uma coisa que neste momento não se devia criar dificuldades. (…) lá mais à frente, quando as coisas estiverem mais estabilizadas, podemos ter esses luxos saudáveis. 

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A MINHA pergunta é: não seria salutar que nós reduzíssemos o IVA, o IRS, o IRC, os três, só num, dois deles e, por contrapartida, criássemos um imposto, vou dizer uma palavra que tecnicamente não se pode dizer, mas para me fazer entender, consignado ao pagamento dos juros da dívida pública. 

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QUANDO estou a pôr as coisas na ordem em termos financeiros e administrativos, ao mesmo tempo não posso ter as paredes da cidade grafitadas e as ruas sujas. Tenho de ser coerente. Os detalhes são importantes. 

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HOJE há uma enorme dificuldade em se conseguir gente séria e capaz para militar desinteressadamente na política, e esse fenómeno é diretamente responsável por essa baixa de qualidade que quase todos identificamos. 

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SE isto continuar assim, o que vai acontecer é que caminharemos para uma ditadura, mas não é uma ditadura clássica, onde se possa dar um tiro no ditador e acabou. É uma ditadura provocada pelo enfraquecimento da democracia. Porque cada vez mais o poder político é mais fraco e sucumbe perante os interesses corporativos e privados. 

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O PAÍS nestes quase 20 anos não melhorou em termos de descentralização e desconcentração, bem pelo contrário, piorou. Eu acreditava que o sistema tinha virtualidades que iam permitir um país mais equilibrado, mas falhou e eu estava enganado. 

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SE eu lá fosse, ainda me arriscava a ser um elemento central do congresso. O dr. Pedro Passos Coelho resolveu candidatar-se, com base em ter sido o mais votado (embora não o vencedor). Tem essa legitimidade, eu não quero perturbar. 

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DEPOIS de ter votado não à regionalização, é a experiência que me diz que Portugal tinha tudo a ganhar com ela. Todos os dias vemos decisões de quem não entende nada do assunto. Se estiver longe do problema vou resolvê-lo mal. Não voto sim a qualquer processo de regionalização. Votarei sim a um que consiga impor uma lógica e produtividade nos serviços públicos. 

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NÃO são todas mas há demasiadas notícias deturpadas. Demasiadas notícias sem verdade, rigor, isenção e independência. 

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SOU totalmente alheio a todas essas notícias que, sem fundamento, inventaram essas datas, e estou mesmo em crer que algumas delas tinham apenas o objetivo político de tentar dar a falsa ideia de que haveria permanentes avanços e recuos da minha parte. 

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NÃO existem fontes próximas de mim, muito menos fontes bem informadas. As únicas que poderão existir são fontes anónimas, mas essas serão tão anónimas, que nem eu as conheço de lado algum. 

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A COMISSÃO de inquérito à falência do BES é das poucas coisas que tem prestigiado a Assembleia da República desde há muitos anos para cá, porque o que está ali em causa não é propriamente atacar o partido A ou o partido B, mas a assembleia a procurar descobrir e a inquirir sobre algo que foi dramático para o país, sem preocupações de ‘partidarite’, colocando o povo ao lado da assembleia. 

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OS municípios tiveram um papel absolutamente determinante no desenvolvimento do país nestes 41 anos. Se nós pegarmos no endividamento global das 308 câmaras, ainda assim o seu endividamento representa hoje 3% da dívida pública global. Quem pôs o país no buraco foi a administração central, não foi a administração local. A administração central é gastadora e é incompetente. 

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QUANDO um ministro não consegue perante um juiz da comarca encerrar uma maternidade é evidente que temos aqui uma confusão na separação de poderes. 

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EM 1974 caiu um regime que estava podre. Tinha 41 anos de idade, levou um encontrão e caiu de podre. O regime que temos hoje está quase com os mesmos 41 anos que o Estado Novo tinha em 1974, face à Constituição de 1933. Achamos que este regime, ao contrário de tudo o mais na nossa vida e no mundo, é eterno. Mas não é. Nem o Sol nem a Terra são. Têm um fim. E se todos os regimes políticos anteriores tiveram um fim, este, vos garanto, que tem fim também. 

Ilustração de Maria Mónica

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