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Rosa Alice Br...

Rosa Alice Branco (1950)

Apanhador de pérolas

Às vezes a noite estende-se através da pele,
mas tu mergulhas até apanhar a pedra
lá no fundo
e uma clareira começa a abrir-se no buraco
por onde esvaziaste a noite.

Publicado in Da alma e dos espíritos animais, Campo das Letras, julho de 2001, página 55

§

Centomeia

Deste-me todos os frutos
e eu multipliquei as mãos
para te olhar nos olhos.

Publicado in Da alma e dos espíritos animais, Campo das Letras, julho de 2001, página 64

§

Pias são as vacas
aspirando o chão com as manchas brancas 

§

Eu tive um cão ou era ele
que me tinha e me deixava à solta 

§

No princípio era o verbo
e agora ninguém responde. 

§

Não te importes amor
se tivermos a alma em desalinho. 

§

Olho pela janela e não vejo o mar.
As gaivotas andam por aí e a relva vai secando no varal.
Manhã cedo 

§

Rosa Alice Branco: Mestre em Filosofia do Conhecimento pela Universidade Nova de Lisboa, com uma tese sobre a perceção visual em Berkeley, nascida em 1950. Ensina psicologia da perceção na Escola Superior de Artes e Design. Participou no Grupo de Estudos de Semiótica e Poética do Porto, tendo sido um dos responsáveis pela revista Figuras e pertence à direção da revista Limiar. A sua poesia, refletindo sobre paradoxos filosóficos e linguísticos, ocupa um lugar único na poesia portuguesa contemporânea mais recente.

Sito in http://www.infopedia.pt/

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