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Jorge Gomes M...

Jorge Gomes Miranda (1965)

Conservei-me afastada do estendal
durante algum tempo.
Sofro de vertigens, por isso
intimidava-me olhar para baixo,
o pátio vazio, restos de flores secas.

§

Um dia, tínhamos decidido
faltar às aulas, perguntou-me:
«o que fazes de noite
para estares sempre tão triste de manhã?» 

§

Mudemos de casa; porque é preciso
arrumar as dores de outra maneira,

§
Se outras preferiam os tecidos de seda
do desejo
ela dava-se à ganga coçada 

§

Às vezes tenho medo de esquecer tudo:
a casa onde nasci, o recreio
da escola, essas vozes
que lembram um copo de água
no verão. 

§

Jorge Gomes Miranda nasceu no Porto, em 1965. Publicou três livros de poesia: O que nos protege, Pedra Formosa, 1995; Portadas Abertas, Presença 1999 e Curtas-Metragens, Relógio D’Água, 2002.

No âmbito do Porto 2001, Capital Europeia da Cultura, escreveu uma novela O Transplante, incluída em Registos de uma transformação, Porto, 2001/2002, e organizou duas antologias literárias: Tráfico, antologia crítica da nova literatura portuguesa, e Double Face, antologia de autores portugueses que escreveram sobre a Holanda e de autores holandeses que escreveram sobre Portugal, do século XVI ao século XX.

Sito in http://www.wook.pt/

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