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Fernando Guim...

Fernando Guimarães (1928)

Principiamos a ler. O rosto inclina-se. Ainda separadas,
algumas das letras estremeceram. Tudo aquilo que se sente 

§

Estão separadas de tudo as lágrimas.
Vê-las-emos 

§

Fender aqui a pedra; procurar o que se torna
no seu próprio sentido: este peso. Assim se espera 

§

Onde fica guardado o tempo? Posso agora dizer
que é dentro dos olhos. Mesmo que se conservem assim límpidos 

§

O rebanho, a aspereza da lã. Recebemo-la nos teares
para a tornar ali macia. Sentimo-la como se envolvesse 

§

Sabemos que de todas as sementes
é a mais pesada. Havemos de esperar
por ela. Acolhemo-la e nada 

§


Fernando Guimarães:
Poeta, ensaísta e tradutor português, nascido a 3 de fevereiro de 1928, no Porto. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra, exerceu funções de docência no ensino secundário e de investigação no ensino superior. Assegurou colaboração crítica em jornais e revistas – como Árvore, Bandarra e Estrada Larga (onde publicou Poesia e Formalismo), entre outras – , sendo considerado, pelas suas obras ensaísticas e de teorização sobre as poéticas finisseculares, modernista, de vanguarda, presencista, neorrealista e do fim da modernidade, um dos mais especializados críticos de poesia da atualidade.

Entre 1951 e 1958, co-dirigiu a revista Eros, na qual colaborariam Jorge Nemésio, José Manuel, José Bento, Fernando Echevarria, Vítor Matos e Sá e António José Maldonado, e onde publicou, além de produção teórica e ensaística, alguns dos poemas que viriam, em 1956, a integrar a sua obra de estreia poética, A Face Junto ao Vento.

A sua obra ensaística orienta-se para o estudo de questões teóricas ligadas à estética, e da evolução da poesia portuguesa nos últimos cem anos, a partir de grandes movimentos como o Simbolismo, o Saudosismo ou o Modernismo. Nestes dois domínios publicou: A Poesia da “Presença” e o Aparecimento do Neorrealismo, Linguagem e Ideologia, Simbolismo, Modernismo e Vanguardas e Os Problemas da Modernidade, entre outros.

Na sua obra poética, reunida em Casa: o seu Desenho, Poesias Completas, A Analogia das Folhas e O Anel Débil, a temática amorosa e a consciência da morte, a reflexão sobre a poesia e sobre o carácter ontológico da linguagem, o reflexo da especulação filosófica heideggeriana e platónica, a tendência para o verso regular constituem algumas das características presentes em A Face Junto ao Vento, retomadas em obras poéticas posteriores.

Como tradutor, Fernando Guimarães trabalhou sobre obras de autores como Lord Byron, Dylan Thomas ou John Keats.

Recebeu, entre outros, o Prémio D. Dinis (1985), o Pen Clube (1988), o Prémio Luís Miguel Nava (2003) e o Grande Prémio de Poesia da APE pelo livro Na Voz de um Nome (2007).

Sito in http://www.infopedia.pt/

Outras moradas: http://paginaliterariadoporto.com/http://alfarrabio.di.uminho.pt/

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