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Daniel Faria ...

Daniel Faria (1971-1999)

Daniel Faria (1971-1999)

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Onde há uma estrela há um homem nocturno
Um homem hemisférico que pensa na luz. 
§
As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões 

§

Fosses tu uma ave ou uma folha
E o Outono te viria desprender 

§

Sol
Que quando és nocturno ando
Com a noite em minhas mãos para ter luz. 

§

Mas basta-me um quadrado de sossego
Para a distância absoluta 

§

O umbral anúncio 

§

A teia é movimento que persiste
Em sua paciência. 

§

Como doem as árvores
Quando vem a Primavera
E os amigos que ainda estão de pé 

§

Termos das árvores
A incomparável paciência de procurar o alto 

§

Mas basta-me um quadrado de sossego
Para a distância absoluta 

§

Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas

§

Pórtico

Com os meus amigos aprendi que o que dói às aves
Não é o serem atingidas, mas que,
Uma vez atingidas,
O caçador não repare na sua queda. 

§

Depois das queimadas as chuvas
Fazem as plantas vir à tona
Labaredas vegetais e vulcânicas
Verdes como o fogo
Rapidamente descem em crateras concisas
E seiva
E derramam o perfume como lava 

§

Antes da noite
Brunirás os montes

Bordarás a chuva
Tecerás o tempo
Com as tuas lágrimas
Lavarás o vento 

§


Daniel Augusto da Cunha Faria
nasceu em Baltar, Paredes, a 10 de Abril de 1971. Frequentou o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa – Porto, tendo defendido a tese de licenciatura em 1996. No Seminário e na Faculdade de Teologia criou gosto por entender a poesia e dialogar com a expressão contemporânea. Licenciou-se em Estudos Portugueses na faculdade de Letras da Universidade do Porto. Durante esse período (1994 – 1998) a opção monástica criava solidez. Viveu na Paróquia Senhora da Conceição – Porto, no período de frequência da Licenciatura em Estudos Portuguesa e, durante vários anos, esteve ligado à paróquia de Santa Marinha de Fornos – Marco de Canaveses. Aí demonstrou o seu enorme potencial de sensibilidade criativa encenando, com poucos recursos, As Artimanhas de Scapan e o Auto da Barca do Inferno. Enquanto estudante de Teologia publicou as obras Oxálida e A Casa dos Ceifeiros. Com o abraço da Fundação Manuel Leão publicou Explicação das árvores e de outros animais; Homens que são como lugares mal situados; Dos Líquidos. Faleceu a 9 de Junho de 1999 quando estava prestes a concluir o noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga.

Sito in http://www.casadaniel.pt.to/

Outras moradas: http://danielfaria.no.sapo.pt/

Foto de Augusto Baptista

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