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César Augusto Romão (1951)

César Augusto Romão (1951)

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8.
Já vivi tantos poentes,
como quantos dedos sujei,
ao cavar na terra 

7.
Quando ,        no Verão,

os ramos do meu olhar
vingarem
nos baldios
dos teus olhos,

amanhecerás
no chão
das minhas mãos.

in “Tanto ar”, Propagare, Porto 2009, página  21

6.
Quando,       na Primavera,

O teu rosto se cobre
de flores

os teus olhos
são as primeiras
a abrir.

 in “Tanto ar”, Propagare, Porto 2009, página  20

5.
No Inverno,
nas noites de chuva,

as casas crescem
de cima para baixo

nos olhos
dos sem abrigo.

 in “Tanto ar”, Propagare, Porto 2009, página  36

4.
Quando,          no Inverno,

ao anoitecer, toda a terra
do mundo
se cola aos teus olhos,

a sombra
do Jacarandá do Viriato*
protege-te do frio.

* Árvore do Largo do Viriato na cidade do Porto

in “Tanto ar”, Propagare, Porto 2009, página  23

3.
Entre o céu azul
e o céu da tua boca,
vai a distância de um beijo

in “Tanto ar”, Propagare, Porto 2009, página  18

2.
No Outono, os rios
são mais iguais a nós,

perdem a doçura do corpo,
ao aproximarem-se da foz

in “Tanto ar”, Propagare, Porto 2009, página 16

1.
Quando,         no Outono,

Os rios se preparam
Para cobrir
As margens do teu corpo,

Os teus olhos aprendem
A escoar as suas águas.

CÉSAR Augusto Romão nasceu no Porto e aqui continua a viver. Diz que a sua cidade tem mar, uns dias é branca, outros azul, ou todas as cores que os seus olhos querem, mas onde nenhum barco navega. Conta ainda que mora um rio à sua porta. Nos dias de verão, quando por ele passa, molha-lhe os pés. À noite, refresca-lhe os sonhos… É permeável a tudo o que o rodeia com a certeza que sempre que entra na sua rua é como se fosse a primeira vez. Como se fosse um labirintho de emoções, acrescentamos nós.

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